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	<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 13:28:13 +0000</pubDate>
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		<title>A Insurreição que vem</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 13:26:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>editor</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Edições Antipáticas]]></category>

		<category><![CDATA[Publicações]]></category>

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&#8220;Este livro é assinado com o nome de um colectivo imaginário. Os seus redactores não são os seus autores. Limitaram-se a pôr um pouco de ordem nos lugares-comuns da época, naquilo que se sussurra nas mesas dos bares, por detrás das portas fechadas dos quartos. Não fizeram mais do que fixar as verdades necessárias, cujo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-large wp-image-801" title="capa-iqv" src="http://www.radioleonor.org/wp-content/uploads/2010/09/capa-iqv-1024x716.jpg" alt="capa-iqv" width="300" height="200" /></p>
<p><em>&#8220;Este livro é assinado com o nome de um colectivo imaginário. Os seus redactores não são os seus autores. Limitaram-se a pôr um pouco de ordem nos lugares-comuns da época, naquilo que se sussurra nas mesas dos bares, por detrás das portas fechadas dos quartos. Não fizeram mais do que fixar as verdades necessárias, cujo recalcamento universal enche os hospitais psiquiátricos e os olhares de mágoa. Fizeram-se escribas da situação. É um privilégio das circunstâncias radicais que o rigor conduza logicamente à revolução. Basta falar daquilo que temos à frente dos olhos e não nos esquivarmos às conclusões.&#8221;</em></p>
<p><a href="http://www.radioleonor.org/wp-content/uploads/2010/09/insurreicao-que-vem.pdf"><strong>A Insurreição que vem - Pdf</strong></a></p>
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		<title>Cartografia do impasse presente</title>
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		<pubDate>Sat, 29 May 2010 09:15:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>editor</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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&#8220;Vingt pour cent des jeunes  Allemands, lorsqu’on leur demande ce qu’ils veulent faire plus tard,  répondent «artiste»&#8221; 




Uma frase que condensa  a situação, somos a primeira geração que viverá pior que a  anterior. A crença na economia, aliada inseparável da política, chegou  ao fim. Havia até então um certo sentido de continuidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-785" title="artiste1" src="http://www.radioleonor.org/wp-content/uploads/2010/05/artiste1.jpg" alt="artiste1" width="700" height="465" /></p>
<p><span style="font-family: Calibri; font-size: small;"><em>&#8220;Vingt pour cent des jeunes  Allemands, lorsqu’on leur demande ce qu’ils veulent faire plus tard,  répondent «artiste»&#8221; </em></span></p>
<p><span style="font-family: Calibri; font-size: small;"><em><br />
</em></span></p>
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify"><span style="font-family: Calibri; font-size: small;">Uma frase que condensa  a situação, somos a primeira geração que viverá pior que a  anterior. A crença na economia, aliada inseparável da política, chegou  ao fim. <span id="more-781"></span>Havia até então um certo sentido de continuidade em toda  a lógica produtiva que, embora sempre se tenha pautado por se exprimir  numa linguagem cifrada cujos guardiões do templo se encarregariam de  traduzir, tentou sempre imprimir um cunho de esperança, de evolução,  e que encerra agora o seu ciclo. Já foram as máquinas, num sentido  geral, e depois em particular os computadores. Agora a internet e com  ela a quimera do conhecimento <em>prêt-à-porter</em>. Mas nada disso  será uma tábua de salvação. Já foi a fábrica, enquanto reprodução  física mais visível da hierarquia do mundo do trabalho, o alvo de  todos as reivindicações mas hoje é o trabalho em si que é questionado  e rejeitado. Não de uma forma visível como numa manifestação mas  de uma forma invisível, como num índice que ninguém consegue explicar,  numa deserção que ninguém convocou. Ninguém mais acredita no trabalho,  não porque seja bem ou mal pago mas porque deixou de ser natural em  nós acreditar numa sociedade em que desde muito novos somos obrigados  a competir. Acontece que, pese a suposta ingenuidade desta forma de  ver as coisas, sabemos agora as possibilidades que temos nesta ou  naquela  área de uma forma quase rigorosa, percentual inclusive. São até  prodigiosos  os esforços feitos pelos governos, nos últimos 20 anos pelo menos,  de encaminhar os estudantes para os cursos <em>certos</em>. Ou de pelo  menos tentarem, por todos os meios, preencher as quotas de trabalhadores   qualificados exigidos pelas empresas. Que o desaparecimento das  universidades  enquanto produtores e não apenas distribuidores de conhecimento esteja  tão perto é apenas o sintoma mais epidérmico de uma doença profunda,  algo que podemos tentar desenhar começando nos processos de selecção  mas cujo final já não nos atreveremos a tentar adivinhar. Ainda assim,  hoje em dia, é tão verdade que a perspectiva de futuro de um qualquer  gestor possa parecer mais risonha quanto o facto de já mais ninguém  o querer ser. Sabemos que estamos num barco que prefere mandar uns borda   fora do que ficar atracado. Decidimos não seguir viagem.</span></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-786" title="critical-mass" src="http://www.radioleonor.org/wp-content/uploads/2010/05/critical-mass.jpg" alt="critical-mass" width="611" height="404" /></p>
<p><span style="font-family: Calibri; font-size: small;"><em>&#8220;O que se opõe  à desolação dominante não é, em definitivo, mais do que  outra desolação, pior aprovisionada. Por todo o lado se trata da mesma  ideia tola de felicidade. Os mesmos jogos de poder tetanizados. A mesma  desarmante superficialidade. O mesmo analfabetismo emocional. O  mesmo deserto.&#8221; </em></span></p>
<p><span style="font-family: Calibri; font-size: small;"><em><br />
</em></span></p>
<p><span style="font-family: Calibri; font-size: small;">A par com a rejeição da ciência  económica, a ruptura com a política. À medida que aumenta a  consciência do elemento regulador na política aumenta também o seu  descrédito. A regulação dos mercados, a última que caiu, nem sequer  era a mais imprevisível. Assim como não tem um tom profético dizer  que os dispositivos de vigilância e controlo vão aumentar à medida  que a crise e o desemprego se forem alargando. E à esquerda, que sempre  teve a palavra solidariedade como arma e a indignação como discurso,  nenhuma resposta senão uma arcaica posição de sentido de estado como  se esperasse a sua oportunidade para começar algo novo. A derrota da  esquerda abriu espaços a <em>aggiornamentos</em> e cisões mas também  a este novo fenómeno de movimentos sociais. Contra o racismo, pela  liberdade sexual ou em defesa dos rios, toda uma multiplicidade de lutas   que de algum modo substituem o papel dos partidos. Não por uma falta  de confiança neste ou naquele em particular, mas por uma consciência  que há coisas que nenhum parlamento irá mudar e que portanto não  são lá que se jogam. Em suma, vender uma tragédia grega tão antiga  como um novo paradigma político, um novo modelo de construir a  participação.  Neste sentido, os partidos correm agora atrás dos cidadãos, por um  esforço de controlo mas também para a sua própria legitimação,  social e mediática, que lhes começa a fugir. Sendo verdade que não  será em mini-parlamentos com os mesmos vícios que se iniciará um  caminho para lá desta abstracção a que se convencionou chamar  participação  cívica, também não será enganoso que romper com essa necessidade  e construir a autonomia dos grupos parece ser a única opção que não  implique suportar mais os discursos entediantes da política  contemporânea.</span></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-788" title="ceuta" src="http://www.radioleonor.org/wp-content/uploads/2010/05/ceuta.jpg" alt="ceuta" width="400" height="300" /></p>
<p><span style="font-family: Calibri; font-size: small;"><em>&#8221; Notre histoire est celle  des colonisations, des migrations, des guerres, des exils, de la  destruction  de tous les enracinements. C’est l’histoire de tout ce qui a fait  de nous des étrangers dans ce monde, des invités dans notre propre  famille.&#8221; </em></span></p>
<p><span style="font-family: Calibri; font-size: small;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-family: Calibri; font-size: small;">E a sociedade? Que mais dizer dessa  palavra senão que é uma pretensão e uma ilusão que mais serve  a quem a usa do que a quem compõe? Que o fervor nacionalista se  recomponha  sobre o formato de uma equipa de futebol apenas deveria suscitar motivo  de regozijo e nunca de espanto.  Há muito que apenas se define <em> contra</em>, e nunca <em>a partir de</em>. Não houvesse por parte de tantas   pessoas a necessidade de transpor todas as barreiras da emigração  que o mundo dito desenvolvido erigiu e hoje já quase nem se falaria  em sociedade ou mesmo cultura. Nem mesmo nos termos mais simpáticos  como os que assumem os recentes esforços de patrimonialização, seja  de hábitos e costumes ou de fortalezas em escarpas tão longínquas  quanto o passado que as viu nascer. Falam num sentimento de  desagregação.  Mas a verdade é que atinge apenas quem algum dia necessitou, por medo  ou ignorância e não raras vezes por ambas, de uma identidade para  contrapor aos <em>outros</em>. No fundo, uma máscara, embora aqui o termo  maquilhagem seja mais exacto já que não tapando todo o verdadeiro  rosto trata apenas de apagar as partes menos bonitas. Para esses o  espanto,  para nós, o riso. E a certeza de que nunca apoiaremos a agregação  de espíritos contra um hipotético sentimento de fuga. A metáfora  da fuga dos cérebros, aliás, só pode ser uma anedota tendo em conta  o crescimento exponencial das multinacionais, os programas  internacionais  de estágios e intercâmbios e mesmo a orientação para a noção de  economia global repetida exaustivamente pela classe governante. Não  será de descurar o papel que o liberalismo teve em todo este processo.  Se houve um descambar do sentimento de sociedade e solidariedade isso  deve-se antes de mais a esta noção de que cada um progride por si  e para si. Assim como convém não esquecer o papel que a palavra Ocidente   veio preencher neste momento em que parecia estar enterrada toda e  qualquer  pertença a uma comunidade que não aquela que construímos e escolhemos. </span></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-789" title="barricades" src="http://www.radioleonor.org/wp-content/uploads/2010/05/barricades.jpg" alt="barricades" width="491" height="500" /></p>
<p><span style="font-family: Calibri; font-size: small;"><em>&#8220;No mundo </em> realmente reinvertido<em>, o verdadeiro  é um momento do falso&#8221; </em></span></p>
<p><span style="font-family: Calibri; font-size: small;"><em><br />
</em></span></p>
<p><span style="font-family: Calibri; font-size: small;">Todos estão conscientes de que não  existe exterioridade ao sistema. E no entanto,ouve-se ainda essa frase,  como sempre vinda de quem menos deseja uma mudança, como sempre em  tom acusatório de quem traça uma sentença a partir da qual nenhum  debate é possível. Responder a isso com possibilidades de organização  que roçam o miserabilismo apenas engrandece a imagem de superioridade  daquilo que temos pela frente. À necessidade inegável de uma organização   e, dizem-nos, do governo central podemos contrapor dezenas de anos de  práticas que o contornam por parte de populações que, por organização  geográfica ou social, sempre foram consideradas como comunidades  isoladas  e onde o longo braço do estado raramente fez parte de alguma solução  já para não falar de quando fez parte do problema. Com a mesma  facilidade,  os ecologistas podem responder a quem diz que Lisboa tem demasiadas  colinas para ser uma cidade ciclável com o facto de na Holanda chover  durante 10 meses por ano e ninguém parecer preocupar-se muito com isso.  A possibilidade de debater mudanças tem muito que ver com a largura  do debate que podemos ter. E é exactamente por isso que é preciso  antes de mais, uma posição de força. Uma força entre os que se entendem  e que se organizam. Até porque a ruptura com os modelos clássicos  toma grandeza à medida que se desnudam os vícios do conservadorismo,  da propensão destes governos para não ir além de gerir o que existe  e assim esconder que pode ainda ser construído. O possível reduzido  ao real. Os curtos estados de excepção, as pequenas avarias na  engrenagem,  os poucos momentos de vida em que as relações sociais estão livres  de mediação, são um alvo sério da atenção das camadas dirigentes.  Que tudo encaixe como uma luva, desde a saída da escola até ao momento  da reforma é já o único objectivo do regime que conhecemos, na Europa  pelo menos, nestes últimos anos. Gerir tudo o que existe de modo a  funcionar sem interrupções, eliminar os desvios, esconder tudo o resto.  E fazer com que ninguém se atreva a contestá-lo através das mais  duras medidas repressivas. Que hoje possa pagar mais caro, como  aconteceu  com as pessoas acusadas de terem escrito <em>L´Insurrection qui vient</em>,   quem contesta o estado de coisas de quem, nos seu seio, encontra algumas   falhas de que se aproveita, diz tudo sobre o carácter imutável de  uma organização social em decadência. E daí extrair todas as lições  é apenas o começo.</span></p>
<p><span style="font-family: Calibri; font-size: small;"><br />
</span></p>
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		<title>Luta e repressão em França</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Aug 2009 19:35:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>editor</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[
É sabido que as notícias relacionadas com a detenção  de 9 pessoas acusadas de terrorismo pelo Estado francês vem provocando vivos debates acerca da sua detenção, bem como dos textos cuja autoria lhes é atribuída.
À boleia disso, alguns companheiros em França e em Itália acharam por bem pronunciar-se acerca dos acontecimentos, aproveitando para criticar simultaneamente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-full wp-image-763" title="amarodiar1" src="http://www.radioleonor.org/wp-content/uploads/2009/08/amarodiar1.jpg" alt="amarodiar1" width="378" height="283" /></p>
<p style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;">É sabido que as <a href="../?p=565">notícias</a> relacionadas com a detenção  de 9 pessoas acusadas de terrorismo pelo Estado francês vem provocando vivos debates acerca da sua detenção, bem como dos textos cuja autoria lhes é atribuída.</p>
<p style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;">À boleia disso, alguns companheiros em França e em Itália acharam por bem pronunciar-se acerca dos acontecimentos, aproveitando para criticar simultaneamente a estratégia de defesa dos detidos e algumas das ideias e afirmações que lhes são atribuídas ou por eles vêm sendo reivindicadas. Ainda estamos a trabalhar num texto que situe e defina a nossa posição colectiva no contexto desse debate, que atravessa grande parte do movimento à escala europeia e, num sentido mais amplo, diz respeito a tod@ os e as que enfrentam a repressão do Estado e o controlo policial.  Por enquanto, optamos apenas por disponibilizar dois dos textos que nos parecem sintetizar as posições que, a partir de um ponto de vista anarquista, vieram criticar simultaneamente a estratégia dos detidos e as posições tomadas pelo <a href="http://www.bloom0101.org/page1.html">Co</a><a href="http://www.bloom0101.org/page1.html">mité Invisível</a>.<span id="more-761"></span></p>
<p style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"><img title="Mais..." src="http://www.radioleonor.org/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" /><img src="file:///C:/Users/Ricardo/AppData/Local/Temp/msohtmlclip1/01/clip_image001.gif" border="0" alt="http://www.radioleonor.org/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" width="1" height="1" /></p>
<h2><img src="http://farm2.static.flickr.com/1274/798271458_c7c7037163.jpg" alt="" width="500" height="334" /></h2>
<h2>Os dois textos abaixo foram traduzidos a partir da sua versão em italiano, disponível em <a href="http://guerrasociale.blogspot.com/search/label/Dibattito%20-%20Lotte%20e%20repressione%20in%20Francia">Guerra Sociale</a>.</h2>
<h2><strong>Carta aberta aos companheiros franceses</strong></h2>
<p><strong> A propósito das detenções de Tarnac e arredores</strong></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 0%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;">Sabemos como é doloroso ser separado dos próprios companheiros, e não temos receitas ou lições a dar sobre como fazê-los sair o mais depressa possível da prisão (fazê-los sair a todos, prescindindo de qualquer distinção entre &#8220;inocentes&#8221; e &#8220;culpados&#8221;). As breves notas que se seguem reúnem algumas reflexões nascidas a partir de várias experiências repressivas vividas em Itália, na esperança de que possam ser úteis aos companheiros franceses.<br />
Os presos de Tarnac representam um caso grave não apenas enquanto ataque dirigido a todos aqueles que já se batem, na crítica e na prática, contra o Estado e o Capital, mas também na sua tentativa intimidatória relativamente a todos os potenciais cúmplices de uma guerra social mais difusa. A repressão, de facto, visa atingir, mais do que os actos isolados, as &#8220;más intenções&#8221;, desenvolvendo assim um papel pedagógico fundamental na despotencialização da atitude de revolta de todos e de cada um. A invenção de &#8220;células terroristas&#8221;, ou de &#8220;movidas&#8221; de uma qualquer identidade, serve para isolar cada hipótese insurreccional do conjunto das práticas de conflitualidades existentes, separando ao mesmo tempo cada revoltoso de si próprio e das próprias potencialidades. A pedagogia da repressão é sempre uma pedagogia do medo.<br />
A tentativa de transformar confrontos de rua, acções anónimas de sabotagem, escritos teóricos ou relações de solidariedade em &#8220;associações terrorista&#8221;, com outras tantas células, chefes e agregados é, infelizmente, um filme a que já assistimos várias vezes em Itália. O problema do Estado é evidente: para liquidar determinadas práticas subversivas, e os &#8220;movimentos&#8221; que as apoiam abertamente, não bastam acusações de delitos específicos. Trata-se então de inventar &#8220;delitos associativos&#8221; para poder distribuir anos e anos de prisão sem ter de recorrer aquela arcaica formalidade a que se chamava prova. Muitos de nós foram alvo de processos, anos de detenção preventiva e, muitas vezes também, de condenações pesadas. Mesmo não conseguindo, frequentemente, levar até ao fim as suas investigações, o Estado coloca-se ao mesmo tempo alguns objectivos paralelos: destruir laços, interromper o fio da actividade subversiva, testar a capacidade de resposta dos companheiros, etc.<br />
Em França, acções de sabotagem e confrontos com a polícia não datam decerto de antes de ontem. Aquilo que tem assustado o Estado nos últimos anos, a nosso ver, foi o emergir de uma possível cumplicidade - nas palavras e nos factos - entre diferentes formas de revolta social, bem como o desenvolvimento e a difusão de discursos que reivindicam publicamente as práticas de insurreição possíveis. Por outras palavras: o Estado não teme tanto o discurso revolucionário, desde que se limite a gozar da própria e abstracta liberdade da palavra, nem no fim de contas o ataque: o que teme é a imprevisibilidade do ataque difuso e o reforço recíproco das palavras e dos gestos. Aquela que foi durante tanto tempo uma posição de bem poucos indivíduos, começa a parecer um &#8220;pântano&#8221; (para voltar à eficaz expressão utilizada, há uma dúzia de anos, pelo núcleo &#8220;antiterrorista&#8221; dos carabinieri italianos) dificilmente identificável e governável. O Estado quer reclamar esse pântano porque lhe escapam &#8220;chefes&#8221;, &#8220;organizações&#8221;, movimentos com siglas, porta-vozes, etc.<br />
Se é sempre válido o conselho que Victor Serge dava aos revolucionários reféns dos inimigos &#8220;neguem tudo, até as evidências&#8221; - é necessário saber ler a repressão, a fim de relançar a nossa própria perspectiva. Todos sabemos que o inimigo histórico de cada luta insurreccional é sempre a esquerda (e a sua esquerda): partidos e sindicatos, recuperadores, mediadores, intelectuais conselheiros dos modernos Príncipes, astutos aliados da repressão, hábeis em dividir entre &#8220;maus&#8221; e &#8220;bons&#8221;. Em circunstâncias particulares, estes podem até chegar a defender perante uma &#8220;Justiça injusta&#8221; aqueles mesmos companheiros que sempre os atacaram. Permitir que estes palhaços reconquistem qualquer tipo de força a partir dos nossos presos é um erro não desprovido de consequências.<br />
Que a opor-se às sujidades do &#8220;antiterrorismo&#8221; não estejam apenas companheiros, mas também um âmbito mais alargado, tem os seus aspectos positivos (e é revelador da constatação assustada de que o terror do Estado nos esmaga cada vez mais). Mas a nossa perspectiva só avança quando se expõem com clareza perante outros explorados e rebeldes, ou seja, na firme inimizade relativamente à esquerda e aos seus meios de comunicação social.<br />
Por outras palavras, até o modo de reagir à repressão faz parte dessa guerra social que não admite tréguas. Ao não assumire defender determinadas posições, cede-se terreno ao inimigo. A solidariedade democrática e o espaço quotidiano não se dão de graça: hoje, servem à esquerda não só para reabilitar-se aos olhos daqueles que estão irreconciliados com o existente (&#8221;Vêm? No fim de contas estamos de acordo&#8230;&#8221;) mas também para neutralizar qualquer posição de ruptura radical com o presente (podem até perdoar-se certos actos juvenis&#8230;). A resposta que muitos companheiros deram em Itália, perante semelhantes investidas (ou até mais pesadas) foi muito simples: &#8220;Nós não sabemos quem fez as coisas das quais nos acusam; aquilo que sabemos é que os defendemos abertamente, e que as vossas investigações não apagarão os fogos dessa revolta social que não esperou pelas nossas acções para propagar-se&#8221;. Semelhante resposta - juntamente com as práticas que lhe correspondem - permitiu-nos sair da prisão retomando o fio da nossa actividade. Semelhante resposta não encontrará certamente aliados entre a comunicação social e os intelectuais democráticos - sobretudo, não os permitirá falar em nosso nome.<br />
Algumas palavras claras encontram sempre ouvidos prontos a escutá-las. Prisioneiras, as palavras forçam por vezes as correntes, emergindo das partes mais misteriosas e comuns da experiência e do coração.<br />
A força que deriva de entrar no jogo deles e no seu discurso com a pretensão de explorá-los ou de revertê-los a nosso favor é ilusória. Com o nosso inimigo não temos em comum sequer o jogo das palavras - nem de felicidade, nem de tempo, nem de possibilidades, nem de sucesso ou insucesso.<br />
Existem posições de ruptura que se revelaram úteis também no plano judicial, como foi o caso de alguns companheiros que cumpriram um ano de prisão por terem escrito coisas numa parede: não existe neste âmbito uma ciência exacta. A tensão pela coerência entre meios e fins coloca o problema da eficácia noutros termos, ou seja, em relação à vida pela qual lutamos. &#8220;<em>Se são inocentes - dizia Renzo Novatore - têm a nossa solidariedade, se são culpados têm-na ainda mais&#8221;</em>. Os companheiros solidários encontraram muitas vezes nestas palavras o terreno mais favorável para agir, para continuar onde alguns foram provisoriamente travados, e para descobrir novos cúmplices.<br />
Uma certeza temos: a insurreição que vem não lê &#8220;Libé&#8221;.<br />
Alguns anarquistas italianos<br />
Fevereiro 2009</p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 0%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"><img src="http://www.thedarkpaladin.com/images/anarchists%20in%20strret.jpg" alt="" width="650" height="488" /></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 0%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"><strong>Carta aberta a alguns anarquistas italianos</strong></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 0%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;">Acabámos de ler a carta que nos endereçaram, a nós como a todos os companheiros franceses. Lêmo-la com prazer, identificando-lhe muitas considerações nas quais nos reconhecemos. Lêmo-la com atenção, já que essa provém de quem, porventura, teve de ajustar contas com a repressão muito mais e muito antes de nós. Mas, para dizer a verdade, deixou-nos um sabor amargo na boca e provocou um certo transtorno.</p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 0%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;">De facto, apetece perguntar: A quem se dirigem? De que estão a falar?</p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 0%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;">Como a vossa carta é dirigida aos companheiros franceses e formula críticas precisas à deriva &#8220;inocentista&#8221; que assumiu a mobilização a favor dos presos de Tarnac, não queríamos que em Itália se pensasse que os &#8220;companheiros franceses&#8221; estão todos dedicados a recolher assinaturas, na companhia de bolseiros intelectuais de esquerda, para entregar às entidades competentes como atestado de boa conduta. Se é verdade que alguns companheiros decidiram transformar aquela que, em nosso e em vosso entender, deveria ser uma luta contra a repressão, numa luta em defesa de alguns reprimidos, é também verdade que se trata de uma escolha sua, que não é certamente partilhada por todo o movimento francês.</p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 0%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;">Infelizmente a repressão em França não teve inicio no passado 11 de Novembro, tendo-se já abatido sobre outros companheiros. Felizmente as sabotagens prosseguiram também após essa data, imparáveis. Tarnac não é o centro de França, nem para o Estado nem para a insurreição. É só um episódio, que arrisca assumir conotações cada vez mais patéticas. Como justamente fazem observar, são as &#8220;más intenções&#8221; o verdadeiro objectivo da repressão, a qual, não conseguindo prevenir os ataques, tenta travar a difusão de discursos que reivindicam publicamente a necessidade e a possibilidade de uma insurreição (discursos que alimentam e são alimentados pela acção, num jogo contínuo de vasos comunicantes).</p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 0%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;">Aquilo que é grave, nas detenções de Tarnac, não é tanto o comportamento do Estado que, pelas razões que vocês exprimiram claramente, agride os nossos meios. No fundo, juízes e polícias não fazem senão o seu trabalho sujo. O que é grave é que, antes disso, se reneguem publicamente essas &#8220;más intenções&#8221; e que esses discursos sejam banalizados, fazendo-os passar pela simples &#8220;paixão histórica&#8221; de um &#8220;pequeno comerciante&#8221;. Ou então que se aceite totalmente preencher o papel de &#8220;bons rapazes&#8221; (de ilustre brasão e com referências adequadas, bem como disponíveis para o diálogo com jornalistas e polícias, e portanto fora do lugar numa cela), a não confundir com a &#8220;má escumalha&#8221; (sem santos no paraíso, mudos em frente ao inimigo, e que merecem apodrecer na prisão). Isto, estejam certos, é para nós muito mais doloroso do que a temporária separação física de alguns companheiros.</p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 0%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;">Sendo muitos os anarquistas italianos conhecidos pela sua intransigência, surpreendeu-nos e também nos afectou a delicadeza e a cautela com que nos dirigem as vossas observações (os Alpes são assim tão altos, que vocês se limitem a repreender em França aquilo que desprezariam em Itália?). Vocês diligentemente denunciam os &#8220;erros&#8221;. Quais erros? Temos muita pena, mas tememos que haja um mal-entendido: não foi feito nenhum erro na mobilização a favor dos presos de Tarnac. Tratou-se de uma precisa escolha de campo.</p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 0%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;">Deste ponto de vista, o vosso convite a &#8220;saber ler&#8221; a repressão, acompanhado da citação de Victor Serge é um autêntico lapso. É exactamente porque leram bem Victor Serge (aquele que, acusado no processo contra os ilegalistas<strong> </strong>conhecidos como Banda Bonnot, se defendia definindo-se um intelectual que nada partilhava com criminosos vulgares) que alguns companheiros franceses enveredaram pela estrada da defesa <em>ad personam</em>. Não estão senão a pôr em prática a ideia difusa segundo a qual seria necessário organizar-se a partir da situação, que em qualquer situação se podem estabelecer alianças, que na guerra contra o Estado não é necessário possuír escrúpulos morais ou impasses éticos, mas apenas estratégias a aplicar. É bom aquilo que faz sair os companheiros da prisão, é mau aquilo que os faz permanecer lá. Ponto final.</p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 0%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;">Lá onde a ética envolve a totalidade da existência humana, a política age sobre alguns dos seus fragmentos singulares. Por isto, o oportunismo é uma constante, porque se intervém à medida das circunstâncias. Quando estas são favoráveis, pode-se facilmente ser coerente. Quando são desfavoráveis&#8230;eis o motivo pelo qual isso se manifesta sobretudo em situações de crise ou de urgência.</p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 0%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;">O companheiro que se encontra com um funcionário do Estado (por exemplo um ex-ministro) movido pela emergência de um procedimento judicial (é preciso sair da prisão) não é assim tão diferente do companheiro que se encontra com um funcionário do Estado (por exemplo um síndico) movido pela urgência de uma luta social (é preciso travar uma nocividade), ambos são herdeiros do companheiro que se torna funcionário do Estado (por exemplo um ministro da justiça) movido pela emergência da guerra (é preciso fazer a revolução). Em todos os três casos se faz o contrário daquilo que se diz, valendo-se de boas razões (e tão práticas! tão concretas!) e das melhores intenções. A emergência desfaz o normal desenvolvimento dos acontecimentos, revoluciona cada ponto de referência, suspende a ética e abre caminho aos contorcionismos da política.</p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 0%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;">Tudo isto é óbvio, quase banal, mas só para quem acredita que ideias e valores não sejam parte integrante do ser humano, mas que lhe sejam externas, como ferramentas para usar conforme as ocasiões. Se em vez disso se considera que as circunstâncias que a realidade nos coloca podem até ser diferentes e contraditórias, mas permanecem únicos os nosso próprios pensamentos, os nossos próprios sonhos, os nossos próprios desejos, então é difícil negar que é precisamente nos momentos de crise ou de urgência que é preciso tentar sermos nós próprios. Trata-se de um jogo sempre aberto, cheio de imprevistos e obstáculos, em que é fácil tropeçar e cair. E então, o que se faz? Levanta-se de novo, procurando aprender com os passos errados, ou começa-se a rastejar elogiando a sua própria habilidade táctica?</p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 0%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;">No fim de contas, a insurreição é em si uma situação excepcional. Não faz sentido alguém armar-se em cavaleiro da Ideia fora dos momentos de ruptura, para depois se vir a descobrir que se trata de um manifestante<strong> </strong>de conveniência quando aqueles se verificam. Seria como proclamar-se contra o existente para depois sacar de uma agulha e começar a tecer relações com os seus apoiantes e os seus falsos críticos. No fundo, ou se pensa que fins e meios são apenas um (interpretação ética da luta), ou então acredita-se que fins e meios estão separados (interpretação política da luta). Interpretações intermédias, como aquelas que propõem meios sem fins, deixemo-las às abstracções filosóficas.</p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 0%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;">Cada um é obviamente livre de escolher a forma como prefere safar-se dos problemas (sem querer atribuir com isto um respeito devido ou uma amizade inabalável). Dito isto, pensamos que é necessário conter este oportunismo político declarado - presente em França, mas estamos certos que também em Itália e no resto do mundo. Isso poderá possivelmente abrir mais rapidamente as portas das prisões ou chamar a atenção de muitas pessoas boas, mas restituir-nos-á apenas a sombra dos companheiros que pudemos apreciar. Contra este oportunismo, é melhor a fúria iconoclasta de um Renzo Novatore que os astutos conselhos do anarca individualista arrependido Victor Serge.</p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 0%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"><em>Criaturas do pântano</em></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 0%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;">Março 2009</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Cambria&quot;,&quot;serif&quot;;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Cambria&quot;,&quot;serif&quot;;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: 150%;"><span style="font-family: &quot;Cambria&quot;,&quot;serif&quot;;"> </span></p>
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		<title>«O anti-terrorismo é uma técnica de governo»</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Aug 2009 16:27:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>editor</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Entrevista  a Julien Coupat, realizada ainda na prisão e por escrito pelas jornalistas Isabelle Mandraud e Caroline Monnot  e publicada a 25 de Maio pelo Le Monde [diário francês]. Coupat esteve em prisão preventiva entre 15 de Novembro de 2008 e 28 de Maio de 2009 acusado de “terrorismo”, no seguimento dos acontecimentos de “Tarnac”.
&#8220;É [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" src="http://capitalismemonamour.c.a.pic.centerblog.net/c6ko0bkc.jpg" alt="" width="400" height="272" />Entrevista  a Julien Coupat, realizada ainda na prisão e por escrito pelas jornalistas Isabelle Mandraud e Caroline Monnot  e publicada a 25 de Maio pelo Le Monde [diário francês]. Coupat esteve em prisão preventiva entre 15 de Novembro de 2008 e 28 de Maio de 2009 acusado de “terrorismo”, no seguimento dos acontecimentos de <a href="http://www.radioleonor.org/?p=565">“Tarnac”</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8220;É o aspecto mais formidável deste processo: um livro transcrito integralmente no dossier da instrução, interrogatórios onde se tenta fazer-nos dizer que vivemos como está escrito em «A insurreição que vem», que nos manifestamos como é preconizado em «A Insurreição que vem», que sabotamos linhas de comboio para comemorar o golpe de Estado bolchevique de Outubro 1917, como é mencionado em «A Insurreição que vem», um editor convocado pelos serviços anti-terroristas para interrogatório.</em> <em><span id="more-729"></span>Na memória francesa, há muito tempo que não se via o poder ter medo por causa de um livro. Havia mais o hábito de considerar que enquanto os esquerdistas estavam ocupados a escrever, pelo menos não estavam a fazer a revolução. Os tempos estão a mudar, seguramente. Regressa a seriedade histórica.&#8221;</em><em><span style="font-size: 11pt; line-height: 115%; font-family: &quot;Calibri&quot;,&quot;sans-serif&quot;;"> </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" src="http://rased-en-lutte.net/wp-content/uploads/2009/01/lamouvancemartinetr6.jpg" alt="" width="480" height="599" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>Como está a viver a sua detenção?</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Muito bem, obrigado. Exercício, corrida, leitura.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>Pode recordar-nos as circunstâncias da vossa detenção?</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Um bando de jovens encapuzados e armados até aos dentes arrombou-nos a casa., Depois de  terem destruído tudo, ameaçaram-nos, algemaram-nos e levaram-nos. Fomos sequestrados a bordo de potentes carros de alta cilindrada, que rodavam a mais de 170 km/h pela auto-estrada.  Nas suas conversas, aparecia frequentemente um certo M. Marion [antigo chefe da polícia antiterrorista] cujas façanhas viris os deixava bastante divertidos - como a de esbofetear com bom humor um colega no ambiente divertido de uma festa de despedida. Estivemos sequestrados durante 4 dias numas das suas “prisões do povo”, atordoados com questões onde o absurdo rivalizava com o obsceno.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Aquele que parecia ser o cérebro das operações descartava-se vagamente de todo este circo, explicando que era tudo culpa dos “serviços”, lá em cima, onde se move todo o tipo de gente que nos desejaria bastante. Até hoje, os meus raptores permanecem a monte. Diversos factos recentes atestam mesmo que eles continuam as sevícias com toda a impunidade.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>As sabotagens das catenárias dos caminhos de ferro (SNCF) em França foram reivindicadas na Alemanha. Que diz disto?</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">No momento da nossa detenção, a polícia francesa tinha já em sua posse um comunicado que reivindicava, além das sabotagens que nos foram atribuídas, outros ataques ocorridos simultaneamente na Alemanha. Este panfleto apresentava numerosos inconvenientes: foi redigido em alemão e enviado de Hanôver exclusivamente para jornais alemães, mas sobretudo não encaixava bem na fábula mediática feita à nossa custa - a de um pequeno núcleo de fanáticos que conduz o ataque ao coração do Estado pendurando três pedaços de ferro sobre catenárias. Adoptar-se-à, desde logo, o extremo cuidado de não mencionar demasiado este comunicado, nem no processo, nem na mentira pública.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">É verdade que a sabotagem de linhas de comboio perde aí muita da sua aura misteriosa: tratava-se apenas de protestar contra o transporte para a Alemanha, por via ferroviária, de resíduos nucleares ultra-radioactivos e de denunciar de passagem a grande burla da “crise”. O comunicado termina com um muito SNCF “<em>agradecemos a compreensão dos passageiros dos comboios afectados</em>”. Há que sublinhar o tacto revelado por estes “terroristas”!</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://linksunten.indymedia.org/fr/system/files/images/09-01-31-paris-tarnac-sabotage.preview.jpg" alt="" width="444" height="480" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>Reconhecem-se nas qualificações de “cena anarco-autónoma” e de “ultra-esquerda”?</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Permitam-me ir um pouco mais longe. Vivemos actualmente em França, o fim de um período de paralisia histórica, cujo acto fundador foi o acordo entre gaullistas e estalinistas em 1945 para desarmar o povo sob o pretexto de “evitar uma guerra civil”. Os termos deste pacto poderiam formular-se assim, para ser breve: enquanto a direita renunciava às suas tendências abertamente fascistas, a esquerda abandonava no seu interior qualquer perspectiva séria de revolução. A vantagem que tem e goza, desde há quatro anos, a clique sarkoziana, é  a de ter tomado unilateralmente a iniciativa de romper este pacto, reatando “sem complexos” com os clássicos da reacção pura – sobre os loucos, a religião, o Ocidente, a África, o trabalho, a história de França, ou a identidade nacional.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Face a este poder <em>em guerra</em>, que ousa pensar estrategicamente e dividir o mundo em amigos, inimigos e quantidades neglicenciáveis, a esquerda permanece paralisada. É demasiado cobarde, demasiado comprometida, em suma, demasiado desacreditada para poder opor a mais pequena resistência a um poder que ela própria não ousa tratar como inimigo, e que lhe subtrai, um a um, os mais engenhosos entre as suas fileiras. Quanto à extrema-esquerda à-la-Besancenot, sejam quais forem os resultados eleitorais, e mesmo saindo do estado grupúscular onde desde sempre vegetou, ela não tem um perspectiva mais ambiciosa a oferecer que não seja o cinzentismo soviético, agora retocado em Photoshop. O seu destino é desiludir.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Na esfera da representação política, o poder em funções não tem portanto nada a recear de ninguém. E não são certamente as burocracias sindicais, mais vendidas do que nunca, que o irão importunar, elas que desde há dois anos dançam com o governo um ballet bem obsceno. Nestas condições, a única força que enfrenta directamente o gangue sarkoziano, o seu único inimigo <em>real</em> neste país, é a rua, a rua e as suas velhas inclinações revolucionárias. Apenas ela, de facto, nas revoltas que se seguiram à segunda volta do ritual plebiscitário de Maio de 2007, soube erguer-se por um instante à altura da situação. Apenas ela, nas Antilhas ou nas recentes ocupações de empresas ou de faculdades, soube fazer passar uma outra palavra.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Esta análise sumária do teatro de operações conseguiu impor-se bastante cedo, desde que os serviços de informação fizeram aparecer a partir de Junho de 2007, sob a pluma de jornalistas às ordens (e nomeadamente no <em>Le Monde</em>), os primeiros artigos que revelavam o terrível perigo que os “anarco-autónomos” representam para toda a vida social. Era-lhes atribuída, desde logo, <em>a organização dos motins espontâneos</em> que em muitas cidades saudaram o “triunfo eleitoral” do novo presidente.</p>
<p style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"><img class="aligncenter" src="http://farm1.static.flickr.com/103/251540975_e9ee85726c.jpg?v=0" alt="" width="334" height="500" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Com esta fábula dos “anarco-autónomos”, ficou desenhado o <em>perfil da ameaça</em> à qual a ministra do interior se dedicou docilmente; de detenções arbitrárias a rusgas mediáticas, conseguiu um pouco de carne e algumas caras.<span style="color: red;"> </span>Quando já não se pode conter o que transborda, pode-se ainda criar um caso e aí encarcerá-lo. Ora a figura dos “violentos” - onde daqui para a frente se cruzam aos encontrões os trabalhadores de Clairoix, os putos dos subúrbios, os estudantes que fecham escolas e os manifestantes das contra-cimeiras - certamente eficaz na gestão corrente da pacificação social, permite criminalizar os actos mas não as existências. E está bem patente na intenção do novo poder atacar o inimigo, <em>enquanto tal</em>, sem esperar que este se exprima. É esta a vocação das novas categorias da repressão.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Pouco importa, finalmente, que não exista ninguém em França que se reconheça como “anarco-autónomo”, nem que a ultra-esquerda seja uma corrente política que conheceu a sua glória na década de 1920 e que depois disso nada mais tenha produzido do que inofensivos volumes de marxologia. De resto, o recente sucesso do termo “ultra-esquerda”, que permitiu a certos jornalistas apressados catalogar sem esforço os revoltosos gregos de Dezembro último, deve muito ao facto de ninguém saber o que foi a ultra-esquerda, nem mesmo que ela tinha alguma vez existido.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Neste ponto, tendo em contra os levantamento que não podem senão sistematizar-se face às provocações de uma oligarquia mundial e francesa vociferante, a utilidade policial destas categorias já não carece de debate. Não é portanto possível antever qual das categorias - “anarco-autónomo” ou “ultra-esquerda”  - servirá por fim os favores do Espectáculo, a fim de remeter para o inexplicável uma revolta que tudo justifica.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" src="http://guilersmilitanteump.files.wordpress.com/2009/04/090131_manif_anti_wef_25-10702817741380.jpg" alt="" width="468" height="312" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>A policia considera-o chefe de um grupo a ponto de resvalar para o terrorismo. Que pensa disto?</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Uma alegação tão patética só pode ser o produto de um regime a ponto de resvalar para o nada.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>Que significa para si a palavra terrorismo?</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Nada pode explicar que o departamento de informações e segurança argelino, suspeito de ter orquestrado a vaga de atentados de 1995 sob orientação da DST (Direction de Surveillance du Térritoire, serviços franceses anti-terrorismo), não seja colocado a par de outras organizações terroristas internacionais. Nada permite explicar também a súbita transmutação do “terrorista” em herói de libertação, em parceiro recomendado pelos acordos de Evian, em polícia iraquiano ou em “talibã moderado” dos nossos dias, ao sabor das últimas alterações da doutrina estratégica americana.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Nada, a não ser a soberania. É soberano, neste mundo, aquele que designa o terrorista. Quem se recusa a fazer parte <em>desta</em> soberania evitará por isso responder à vossa questão. Quem  apenas pedincha por algumas migalhas não hesitará  em fazê-lo. Quem não estiver entupido de má fé achará muito instrutivo o caso desses dois ex-“terroristas” tornados, um o primeiro-ministro de Israel, o outro o presidente da Autoridade palestiniana, tendo ambos recebido, para cúmulo, o Prémio Nobel da paz.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">A névoa que envolve a qualificação de “terrorismo”, a impossibilidade manifesta de a definir, não remete para uma qualquer lacuna provisória da legislação francesa - constituem o princípio dessa coisa que se pode definir bastante bem: o anti-terrorismo, de cujo funcionamento são uma das condições. O anti-terrorismo é uma técnica de governo que mergulha as suas raízes na velha arte da contra-insurreição, da guerra dita “psicológica”, para não ir mais longe.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">O anti-terrorismo, ao contrário do que o termo insinua, não é um meio de luta contra o terrorismo, é o método através do qual se <em>produz</em>, positivamente, o inimigo político <em>enquanto terrorista</em>. É sobretudo um luxo de provocações, de infiltrações, de vigilância, intimidação e propaganda, uma ciência da manipulação mediática, da “acção psicológica”, da fabricação de provas e crimes, através da fusão do policial com o judiciário, trata-se de aniquilar a “ameaça subversiva” associando entre a população, o inimigo interior, o inimigo <em>político</em>, com o adepto do terror.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">O essencial, na <em>guerra moderna</em>, é esta “batalha pelos corações e pelos espíritos” onde todos os golpes são permitidos. O procedimento elementar é, aqui, invariável: <em>individualizar</em> o inimigo de modo a separá-lo do o povo e do senso comum, expô-lo com as vestes de um monstro, difamá-lo, humilhá-lo publicamente, e incitar os mais infames a destilarem ódio sobre ele. “<em>A lei deve ser utilizada como apenas uma outra arma do arsenal do governo e neste caso não representa mais do que uma cobertura de propaganda para desembaraçar-se dos membros indesejáveis do público. Para uma maior eficácia, convém que as actividades dos serviços judiciários estejam ligadas ao esforço de guerra de maneira o mais discreta possível</em>”, aconselhava já, em 1971, o brigadeiro Frank Kitson [antigo general do exército britânico, teórico de guerra contra-insurreccional] que sabia algumas coisas acerca do assunto.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" src="http://photo.sfrjeunestalents.fr/media/photo/playint/74874.jpg" alt="" width="495" height="371" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Uma andorinha não faz a primavera e, no nosso caso, o anti-terrorismo foi um fracasso. A França não está pronta a deixar-se aterrorizar por nós. O prolongamento da minha detenção por uma duração “razoável” é uma pequena vingança bem compreensível, considerando os meios mobilizados e a profundidade do fracasso; como é compreensível a obstinação um pouco mesquinha dos “serviços”, desde o 11 de Novembro, em responsabilizar-nos atravé da imprensa pelos delitos mais incríveis, ou em seguir qualquer um dos nossos camaradas. Até que ponto esta lógica de represálias se apoderou da instituição policial e  do pequeno coração dos juízes, eis o que foi revelado nos últimos tempos pelas detenções cadenciadas de “pessoas próximas de Julien de Coupat”.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">É necessário dizer que alguns apostam neste processo toda a sua lamentável carreira, como Alain Bauer [criminólogo], outros o lançamento dos seus novos serviços, como o pobre M. Squarcini [director central do serviço de informações interiores], outros ainda a credibilidade que nunca tiveram e que jamais terão, como Michèle Alliot-Marie [Ministra da Administração Interna ]</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>Saiu de um meio muito confortável que poderia orientá-lo noutra direcção&#8230;.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">&#8220;<em>Existe plebe em todas as classes</em>&#8221; (Hegel).</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>Porquê Tarnac?</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Vá lá, você compreende. Se não compreende, receio que ninguém lhe poderá <em>explicar</em>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>Você define-se como um intelectual? Um filósofo?</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">A filosofia nasceu enquanto luto tagarela da sabedoria originária. Platão entendia já a palavra de Heraclito como algo que escapou de um mundo defunto. Numa época de intelectualidade difusa, não vemos o que poderia especificar &#8220;o intelectual&#8221;, senão a extensão do fosso que separa, nele próprio, a faculdade de pensar da aptidão de viver. Tristes títulos esses, na verdade. Mas,<em> para quem</em>, afinal, seria necessário alguém definir-se?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" src="http://mtblog.newyorker.com/online/blogs/books/l%27insurrection.qui.vient.jpg" alt="" width="400" height="611" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>Você é o autor do livro <em>A insurreição que vem</em>?</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">É o aspecto mais formidável deste processo: um livro transcrito <em>integralmente</em> no dossier da instrução, interrogatórios onde se tenta fazer-nos dizer que vivemos como está escrito em <em>A insurreição que vem</em>, que nos manifestamos como é preconizado em <em>A Insurreição que vem</em>, que sabotamos linhas de comboio para comemorar o golpe de Estado bolchevique de Outubro 1917, como é mencionado em <em>A Insurreição que vem</em>, o seu editor convocado pelos serviços anti-terroristas para interrogatório.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Na memória francesa, há muito tempo que não se via o poder ter medo <em>por causa de um livro</em>. Havia mais o hábito de considerar que enquanto os esquerdistas estavam ocupados a escrever, pelo menos não estavam a fazer a revolução. Os tempos estão a mudar, seguramente. Regressa a seriedade histórica.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">O que funda a acusação de terrorismo, no que nos diz respeito, é a suspeita da coincidência entre um pensamento e uma vida; o que faz a associação de malfeitores, é a suspeita de que esta coincidência não é deixada ao heroísmo individual, mas antes se torna o objecto de uma atenção comum. Negativamente, isto significa que não se suspeita de nenhum daqueles que assinam com o seu nome ferozes críticas ao sistema, sem alguma vez pôr em prática a mais ínfima das suas firmes resoluções; a injúria é quanto baste. Infelizmente, não sou o autor de <em>A insurreição que vem</em> - e todo este assunto deveria antes conseguir convencer-nos do carácter essencialmente <em>policial</em> da função do autor.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Eu sou, em retaliação, um leitor. Ao reler o livro, há menos de uma semana, compreendi melhor a irritação histérica que provocou, nas altas esferas, na perseguição aos seus presumíveis autores. O escândalo deste livro, é que tudo o que aí figura é rigorosamente, catastroficamente <em>verdadeiro</em>, e não pára de se revelar cada dia mais enquanto tal. Porque aquilo que se evidencia, para lá da &#8220;crise económica&#8221;, de uma &#8220;perda de confiança&#8221;, de uma &#8220;rejeição massiva das classes dirigentes&#8221;, é exactamente o fim de uma civilização, a implosão de um paradigma: o do <em>governo</em>, que tudo comandava no Ocidente - a relação dos seres entre si não menos do que a ordem política, a religião ou a organização das empresas. Existe, em todos os escalões do presente, uma gigantesca <em>perda de controlo</em> para a qual nenhuma espectacular operação policial servirá como remédio.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Não será por nos trespassarem com penas de prisão, com vigilância minuciosa, com controlo judiciário, e interdições de comunicação sob o pretexto de que somos os autores desta constatação lúcida, que se fará evaporar o que foi constatado. É próprio das verdades, uma vez enunciadas, libertarem-se de quem as formulou. Governantes, não vos servirá de nada entregar-nos à justiça, muito pelo contrário.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://dutron.files.wordpress.com/2008/10/prison-de-la-sante.jpg" alt="" width="448" height="299" /></p>
<p style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"><strong><span style="font-size: 11pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Calibri&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">Está a lêr «Vigiar e punir», de Michel Foucault. Essa análise ainda lhe parece pertinente?</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">A prisão é o <em>pequeno segredo sórdido </em>da sociedade francesa, não está na margem de relações  sociais mais apresentáveis, é antes a sua peça-chave. O que se concentra aqui num todo compacto não é,  como se encarregam de nos fazer crer, um amontoado de bárbaros selvagens, mas antes o conjunto das disciplinas que tecem, cá fora, a existência dita «normal». Vigilantes, cantina, jogos de futebol no pátio, emprego do tempo, divisões, camaradagem, cenas de porrada, arquitectura repressiva: é necessário ter já passado algumas noites na prisão para tomar plena consciência de tudo o que a escola, a inocente escola da República, contém, por exemplo, de carcerário.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Encarada a partir deste ângulo inexpugnável, não é a prisão que serve de tapete para esconder os fracassos da sociedade, mas antes a sociedade actual que assume a forma de uma prisão fracassada. A mesma organização da separação, a mesma administração da miséria pela droga, pela televisão, pelo desporto e pela pornografia reinam em toda parte, ainda que certamente de modo menos metódico que aqui. Finalmente, estes muros altos não ocultam senão esta verdade de uma explosiva banalidade: são vidas e almas em tudo semelhantes as que se desenrolam de um lado e de outro do arame farpado, e por causa dele.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Se são seguidos com tamanha avidez os testemunhos «do interior», que deveriam finalmente expor os segredos que a prisão oculta, é apenas para melhor ocultar o segredo do que ela é: o da vossa servidão, vocês que são considerados livres ao mesmo tempo que a sua ameaça pesa invisivelmente sobre cada um dos vossos gestos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Toda a virtuosa indignação que acompanha o buraco negro das prisões francesas e os seus repetidos suicídios, toda a grosseira contra-propaganda da administração penitenciária, que apresenta perante as câmaras guardas prisionais dedicados ao bem-estar dos detidos e directores de prisão zelosos do «objectivo da sentença», resumindo: todo esse debate acerca do horror do encarceramento e da necessidade de humanizar a detenção, é tão velho como a prisão. É necessário partir precisamente da sua eficácia, que permite combinar o terror que deve inspirar com o hipócrita estatuto de punição «civilizada». O pequeno sistema de espionagem, de humilhação e de devastação que o Estado francês emprega em relação aos detidos, mais fanaticamente do que qualquer outro na Europa, não é sequer escandaloso. O Estado paga por ele todos os dias, multiplicado por cem, nos seus subúrbios e isso não é claramente mais do que um princípio: a vingança é a higiene da plebe.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" src="http://susanmangan.files.wordpress.com/2009/04/emeutes-dans-les-banlieue.jpg" alt="" width="550" height="367" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Mas a mais notável impostura do sistema judicial e penitenciário consiste certamente em pretender que ele serve para punir os criminosos quando ele não faz outra coisa senão <em>gerar as ilegalidades</em>. Não interessa que qualquer patrão – e não apenas o da Total –, qualquer autarca – e não apenas o do Hauts-de-Seine [subúrbio ocidental de Paris] -, qualquer bófia, saiba quantas ilegalidades são necessárias para o correcto exercício da sua profissão. O caos das leis é tal, nestes dias, que se torna prudente não procurar fazê-las respeitar em demasia e os  próprios stups [polícia francesa encarregue dos narcóticos], fazem bem em apenas regular o tráfico em vez de o reprimir - o que seria social e politicamente suicidário.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">A divisão não passa por isso, como pretenderia a ficção judicial, entre o legal e o ilegal, entre os inocentes e os criminosos, mas entre os criminosos que se julga oportuno perseguir e aqueles que são deixados em paz, conforme o exigido pelo policiamento geral da sociedade. A raça dos inocentes está extinta há muito tempo e a punição não é aquilo a que a justiça nos condena: a punição<em> é a própria justiça</em>. Não se trata por isso, para mim e para os meus camaradas, de «clamar pela nossa inocência», como a imprensa ritualmente se encarregou de escrever, mas de derrotar a arriscada ofensiva política em que consiste todo este infecto processo judicial. Eis algumas das conclusões às quais o espírito é conduzido, ao reler «Vigiar e punir» desde Santé [Prisão parisiense]. Não saberíamos como sugerir, à luz do que vêm fazendo os foucaultianos com os trabalhos de Foucault ao longo de vinte anos, que estes sejam colocados na reforma por estes lados durante uns tempos&#8230;</p>
<p style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"><strong><span style="font-size: 11pt; font-family: &quot;Calibri&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">Como analisa aquilo que vos aconteceu?</span></strong></p>
<p style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: &quot;Calibri&quot;,&quot;sans-serif&quot;;"> Desenganem-se: o que nos aconteceu, a mim e aos meus camaradas, há-de vos acontecer também. É desde logo essa a primeira mistificação do poder: nove pessoas vêm-se perseguidas no quadro de um procedimento judicial  por “associação de malfeitores relacionados com objectivos terroristas” e deveriam sentir-se particularmente preocupadas com essa grave acusação. Mas não se trata do “caso Tarnac”, mais do que do “caso Coupat”, ou do “caso Hazan” [editor de La Fabrique, chancela que publicou <em>A insurreição que vem</em>]. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: &quot;Calibri&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">Trata-se antes de uma oligarquia vacilante em todos os aspectos, que se torna feroz como todo o poder se torna feroz quando se sente <em>realmente ameaçado</em>. O Príncipe não tem qualquer outro apoio que não seja o medo que inspira, a partir do momento em que a sua figura não suscita mais do que o ódio e o desprezo entre o povo.</span></p>
<p style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: &quot;Calibri&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">Trata-se de uma bifurcação com a qual estamos confrontados, simultaneamente histórica e metafísica: ou passamos de um paradigma de governação para um paradigma de habitação, ao preço de uma revolta cruel mas perturbadora, ou deixamos instaurar à escala planetária  este desastre climatizado em que coexistem, sob o controlo de uma gestão “descomplexada”, uma elite imperial de cidadãos e massas plebeias mantidas à margem de tudo. Trata-se portanto, em todo o seu esplendor, de uma <em>guerra</em>, uma guerra entre os beneficiários dessa catástrofe e aqueles que possuem da vida uma ideia um pouco menos esquálida. Nunca se viu uma classe dominante suicidar-se com boa vontade.</span></p>
<p style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: &quot;Calibri&quot;,&quot;sans-serif&quot;;"><img class="aligncenter" src="http://business.timesonline.co.uk/multimedia/archive/00477/Paris-Riot_477903a.jpg" alt="" width="585" height="350" /><br />
</span></p>
<p style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: &quot;Calibri&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">A revolta tem condições, não tem <em>causas</em>. Quantos ministérios da Identidade nacional, despedimentos à moda da Continental, perseguições aos imigrantes sem documentos ou aos opositores políticos, crianças assassinadas pela polícia nos subúrbios e ministros que ameaçam privar de diploma os que ainda ousam ocupar a sua faculdade, serão necessários para decidir que semelhante regime, mesmo se instalado por um plebiscito aparentemente democrático, não tem qualquer razão para existir e merece apenas ser derrubado? É uma questão de sensibilidade.</span></p>
<p style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: &quot;Calibri&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">A servidão é o intolerável que pode ser infinitamente tolerado. Porque é uma questão de sensibilidade e porque essa sensibilidade é <em>imediatamente política</em> (não na medida em que se coloca a questão “porque vou votar?”, mas antes “será a minha existência compatível com isto?”), torna-se para o Poder uma questão de anestesia, à qual este deve responder pela administração de doses incessantemente mais massivas de diversão, medo e embrutecimento. E lá onde a anestesia deixa de ser operativa, esta ordem, que reuniu contra si todas as <em>razões</em> para a revolta, tenta dissuadir-nos através de uma pequena administração de terror.</span></p>
<p style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: &quot;Calibri&quot;,&quot;sans-serif&quot;;">Eu e os meus camaradas não somos senão uma variável desse ajustamento. Somos suspeitos, como tantos outros, como tantos “jovens”, como tantos “gangs”, de nos dessolidarizarmos para com um mundo que se afunda. A esse respeito, não dizemos qualquer mentira. Felizmente, o amontoado de escroques, impostores, industriais, financeiros e prostitutas, toda essa corte de Mazarin sob efeito de neurolépticos, de Louis Napoleão em versão Disney, de Fouché domingueiro, que neste momento domina o país, carece do mais elementar sentido da dialéctica. Cada passo que dão no sentido de tudo controlar aproxima-os da sua queda. Cada nova “vitória” da qual se vangloriam alarga um pouco mais o desejo de os ver vencidos a todos. Cada manobra através da qual julgam sustentar o seu Poder acaba por torná-lo mais odioso. Para dizê-lo noutros termos: a situação é excelente. Não é o momento de perder a coragem.</span></p>
<p style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt; font-family: &quot;Calibri&quot;,&quot;sans-serif&quot;;"><img class="aligncenter" src="http://images.huffingtonpost.com/2009-06-23-sarkozy.jpg" alt="" width="450" height="307" /><br />
</span></p>
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		<title>Saltar para o vazio</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Aug 2009 16:36:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>editor</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Movimento]]></category>

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		<description><![CDATA[
“Por um lado queremos viver o comunismo, por outro gostaríamos de espalhar a anarquia”
 Foi publicada, numa fanzine libertária intitulada «Saltar para o desconhecido», uma crítica do texto «Appel», redigido algures em França por mão anónima (mas não desconhecida) e publicado na região portuguesa pelas Edições Antipáticas.
 Nele se fala de «discussões apaixonadas» e de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center; line-height: 150%;"><img class="aligncenter" src="http://homelessmonalisa.darq.uc.pt/Bandeirinha/Bernard_Plossu.jpg" alt="" width="552" height="362" /></p>
<p style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"><em><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;">“Por um lado queremos viver o comunismo, por outro gostaríamos de espalhar a anarquia”</span></em></p>
<p style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"> Foi publicada, numa fanzine libertária intitulada «<a href="http://www.4shared.com/file/89107799/ec5d2267/saltar_1_final.html?err=no-sess">Saltar para o desconhecido</a>», uma crítica do texto <a href="http://ia331427.us.archive.org/2/items/Appel/appel.pdf">«Appel»</a>, redigido algures em França por mão anónima (mas não <a href="http://www.bloom0101.org/eclats.html">desconhecida</a>) e publicado na região portuguesa pelas Edições Antipáticas.</span></p>
<p style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"> Nele se fala de «discussões apaixonadas» e de «engodos» que seria necessário cortar, da «confusão oferecida pelos seus autores» e de ver «o que realmente é dito». Aqui, saúda-se o aparecimento de uma crítica e a vontade de debater o texto. Procura-se também desenvolver alguns comentários, respostas e ideias sobre os temas abordados no «Appel», entretanto traduzido em várias linguas e que vem provocando <a href="http://www.anarchistnews.org/?q=node/7499">debates</a> entre vários colectivos e subjectividades da cena antagonista internacional. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><span id="more-689"></span></span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 18pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 150%;"><img class="aligncenter" src="http://www.toutsaufsarkozy.com/cc_images/icono/0812/Emeute1.jpg" alt="" width="590" height="430" /></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 18pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><span>1.<span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal;"> </span></span></span><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;">O texto começa<span> </span>por afirmar que o «Appel» efectua uma crítica do capitalismo que deixa de fora o Estado. Indo ainda mais longe, sustenta que não se encontra ali qualquer sugestão para um ataque ao Estado ou qualquer análise de outras estruturas e instituições de dominação. Esta parece-nos ser uma crítica injusta. Podemos encontrar no Appel, do primeiro ao último capítulo, várias críticas da forma-Estado, da política clássica, das múltiplas formas de dominação existentes na sociedade e que contaminam até as dinâmicas, movimentos e realidades que contestam essa mesma sociedade.<span> </span>Para citar ao acaso: “<em>nada do que se exprime no quadro da politica clássica poderá jamais travar o avanço do deserto, pois a politica clássica faz parte do deserto.” </em>(p.12); <em>O capitalismo não teria podido triunfar à escala planetária sem técnicas de poder, técnicas objectivamente políticas – técnicas, há-as de todos os tipos, com ou sem instrumentos, corporais ou retóricos, eróticos ou culinários, até à disciplina e aos dispositivos de controlo; e isso em nada ajuda a denunciar a «dominação da técnica».</em>(pp.19 e 20); “<em>Se tomarmos em consideração a soma de leis de excepção e regulamentos de costumes que governam os espaços atravessados por quem quer que seja, não há actualmente uma única existência, cuja impunidade possa ser<span> </span>assegurada. Existem leis, códigos e decisões de jurisprudência que tornam punível toda a existência; basta para tal que sejam aplicadas à letra.” </em>(p.21)<em>“O liberalismo erigiu como princípio que tudo deveria ser tolerado, que tudo pode ser pensado, desde que não tenha consequências directas na estrutura da sociedade, nas suas instituições e no poder de Estado. Qualquer ideia pode ser aceite, a sua expressão até deverá ser favorecida, desde que as regras do jogo social e do Estado sejam aceites.”</em>(p.25).</span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 18pt; text-align: justify; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;">Poderíamos continuar as citações até à exaustão e encontraríamos inúmeras formulações críticas, não apenas da essência do Estado enquanto violência organizada, mas de várias formas de dominação que o atravessam e/ou o ultrapassam. Note-se que o/a autor(a) do texto não se propôs avançar uma nova e arrojada crítica do Estado, ou passar em análise todos os textos que o precederam nesse domínio, mas formular a partir de evidências (entre as quais a relação existente entre a exploração capitalista e a violência do Estado) propostas estratégicas de luta e ataque no contexto da guerra civil mundial. </span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 18pt; text-align: justify; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><img class="aligncenter" src="http://www.jokerartgallery.com/fotos/foto/pnz/mao.jpg" alt="" width="510" height="700" /><br />
</span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 18pt; text-align: justify; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"> </span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 18pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><span>2.<span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal;"> </span></span></span><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;">Ao contrapor a «comunidade» ao capitalismo, o «Appel» faria a apologia de «sociedades alternativas que reproduzem a mesma dominação individual» sob «uma imagem de radicalidade». Também esta crítica nos parece, fundamentalmente, injusta e superficial. Voltamos a recorrer a citações: <em>“O que se opõe à desolação dominante não é definitivamente mais do que outra desolação pior fornecida. Por todo o lado se trata da mesma ideia idiota de felicidade. Os mesmos jogos de poder tétanizados. A mesma desarmante superficialidade. O mesmo analfabetismo emocional. O mesmo deserto.”</em> (p.6);<span> </span><em>“É à força de encarar o inimigo como um sujeito que nos enfrenta – em vez de o reconhecer como uma relação que nos domina – que adoecemos na luta contra a doença. Que reproduzimos, sob o pretexto da «alternativa», o pior das relações dominantes. Que nos pomos a vender a luta contra a mercadoria. Que nascem as autoridades da luta-antiautoritária, o feminismo com grandes colhões e os linchamentos antifascistas.”</em> (p.7)</span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 18pt; text-align: justify; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;">Acrescentamos a este conjunto de citações uma que nos pareceu particularmente familiar e com a qual é difícil evitar o confronto (embora, inexplicavelmente, o texto de «Saltar no desconhecido» a tenha ignorado): <em>“Na nossa fuga às condições de existência que nos mutilam, encontramos os squats ou melhor o palco internacional dos squats. Nesta constelação de locais ocupados nos quais, digam o que disserem, diferentes formas de agregação colectiva fora do controlo se exprimem, começámos por assistir ao crescimento da nossa força. Organizámos a nossa sobrevivência elementar – recuperação, roubo, trabalho colectivo, refeições em comum, partilha de técnicas, de materiais, de inclinações amorosas - e encontrámos formas de expressão política – concertos, manifs, acção directa, sabotagem, panfletos. Depois, a pouco e pouco, assistimos à transformação do que nos rodeava num meio e de meio em palco. Nós vimos a promulgação de uma moral tomar o lugar da elaboração de uma estratégia. Vimos normas solidificarem-se, vimos reputações serem construídas, achados porem-se a funcionar, e tudo tornar-se tão previsível. A aventura colectiva transformou-se numa triste coabitação. Uma tolerância hostil tomou conta de todas as relações. Entendemo-nos. E, inevitavelmente, para acabar, apercebemo-nos que o que tinha sido um contra-mundo, estava reduzido a um reflexo do mundo dominante: o mesmo jogo de valorização pessoal no campo do roubo, da pancadaria, da correcção política ou da radicalidade – o mesmo liberalismo sórdido na vida afectiva, as mesmas preocupações de território, de domínio, a mesma cisão entre vida quotidiana e actividade política, as mesmas paranóias identitárias.”</em>(pp.33-34)</span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 18pt; text-align: center; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><img class="aligncenter" src="http://4.bp.blogspot.com/_HhDBFxRuvgI/R1TaMrUbN-I/AAAAAAAAAWg/Ly8VexEKnrY/s1600-R/pizz3.jpg" alt="" width="672" height="504" /><br />
</span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 18pt; text-align: justify; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"> </span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 18pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><span>3.<span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal;"> </span></span></span><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;">Vamos deixar de parte a acusação de que o texto seria veladamente «Marxista», por tudo o que ela tem de preguiçosa e paranóica. Contrariamente ao que nos dizem os companheiros de «Saltar para o desconhecido», Marx não é «explicitamente descartado», mas explicitamente citado como um «velho amigo»: <em>“Na sociedade burguesa, onde as diferenças entre os homens não são mais do que diferenças que não dizem respeito ao próprio homem, são justamente as verdadeiras diferenças, as diferenças de qualidade que não são consideradas. O comunista não pretende construir uma alma colectiva, deseja realizar uma sociedade onde as falsas diferenças sejam liquidadas. E, liquidadas essas falsas diferenças, abrir todas as possibilidades às diferenças verdadeiras.”</em> (p.42)</span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 18pt; text-align: justify; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;">Concentremos-nos antes na crítica segundo a qual os autores de «Appel» pretenderiam «viver o comunismo no seio do capitalismo», ou que pretenderiam «sair do capitalismo» simplesmente construindo e gerindo infra-estruturas que lhes assegurem a sobrevivência à margem dos circuitos mercantis. Mais uma vez, o texto defende-se bem de semelhantes acusações: <em>“O nosso objectivo não é apenas uma reapropriação de meios. Nem uma reapropriação de saberes. Se juntássemos todos os saberes e as técnicas, toda a criatividade desenvolvida no campo do activismo, não obteríamos um movimento revolucionário. É uma questão de temporalidade. Uma questão de construir as condições nas quais uma ofensiva se possa alimentar sem desfalecer, de estabelecer solidariedades materiais que nos permitam persistir. Acreditamos que não existe revolução sem a constituição de uma potência material comum.”</em> (p.22); <em>“O comunismo não consiste na elaboração de novas relações de produção, mas antes na abolição das mesmas. Não estabelecer no nosso meio ou entre nós relações de produção significa nunca permitir que a busca do resultados se sobreponha à atenção ao processo, destruir entre nós todas as formas de valorização, cuidar para que não se separe afecto e cooperação. Estar atento aos mundos, à sua configuração sensível, significa exactamente impossibilitar o isolamento de qualquer coisa que se assemelhe a «relações de produção».</em>” (p.45). </span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 18pt; text-align: justify; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><img class="aligncenter" src="http://www.fotoalternativa.net/fotos/000009/050447.jpg" alt="" width="418" height="600" /><br />
</span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 18pt; text-align: justify; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"> </span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 18pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><span>4.<span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal;"> </span></span></span><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;">Onde os companheiros de «Saltar no desconhecido» identificam uma contradição incontornável entre construção e ofensiva, os autores do «Appel» respondem com um argumento bastante claro e explícito contra semelhante separação: “<em>Em todo o lado nos confrontamos com a chantagem de dever escolher entre a ofensiva e a construção, a negatividade e a positividade, o viver e o sobreviver, a guerra e o quotidiano. Não lhe responderemos. Vemos demasiado bem o modo como essa alternativa esquarteja e depois cinde e volta a cindir todos os colectivos existentes. Para uma força que se liberta, é impossível dizer se a aniquilação de um dispostivo que a agride é uma questão de construção ou de ofensiva, se o facto de atingir uma relativa autonomia alimentar ou medicinal constitui um acto de guerra ou de subtracção. É uma questão de circunstâncias, como num motim, onde o facto de nos podermos defender entre camaradas aumenta consideravelmente a nossa capacidade de devastação. Quem pode afirmar que armar-se não participa da constituição material de uma colectividade? Lá onde nos colocamos de acordo acerca de uma estratégia comum, não existe escolha entre ofensiva e construção, existe, em cada situação, a consciência do que acresce à nossa potência e do que a enfraquece, do que é oportuno e do que não o é. E lá onde essa evidência não se dá, existe a discussão e, no pior dos casos, o jogo.” </em>(p.46)</span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 18pt; text-align: justify; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;">Não há aqui qualquer vestígio de uma vontade de fugir para um qualquer lugar idílico, nenhuma proposta para a constituição de um micro-mundo pós-capitalista, nenhuma vontade de abandonar o combate para abraçar um estilo de vida alternativo fechado numa redoma de cristal. Há a apologia da estratégia, da apropriação de instrumentos de luta, da indissociabilidade entre vida e luta, partilha da existência e partilha do combate. Pode-se evidentemente discordar e criticar – com muitos e sólidos argumentos. O que se torna mais duvidoso é a transformação do que está escrito no texto em algo completamente diferente, apenas para que possa encaixar numa caricatura e expor-se a uma crítica que se socorre de argumentos familiares, conhecidos e muitas vezes repetidos, mas que de todo em todo não se dirigem aquilo de que aqui se fala. Não vale tratar o «Appel» como uma variante do comércio justo e da ecotopia, apenas porque se conhecem bem os argumentos contra esse tipo de realidades. O que este texto possui de singular merece, dos companheiros que dele discordam, uma análise singular. </span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 18pt; text-align: justify; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><img class="aligncenter" src="http://1.bp.blogspot.com/_zQq-d5u6Sno/R4eCVRhuUgI/AAAAAAAAAH0/CR6CjvNT4EE/s400/lourenco.jpg" alt="" width="400" height="300" /><br />
</span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 18pt; text-align: justify; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"> </span></p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 18pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 150%;"><!--[if gte mso 9]><xml> <w:WordDocument> <w:View>Normal</w:View> <w:Zoom>0</w:Zoom> <w:TrackMoves /> <w:TrackFormatting /> <w:HyphenationZone>21</w:HyphenationZone> <w:PunctuationKerning /> <w:ValidateAgainstSchemas /> <w:SaveIfXMLInvalid>false</w:SaveIfXMLInvalid> <w:IgnoreMixedContent>false</w:IgnoreMixedContent> <w:AlwaysShowPlaceholderText>false</w:AlwaysShowPlaceholderText> <w:DoNotPromoteQF /> <w:LidThemeOther>PT</w:LidThemeOther> <w:LidThemeAsian>X-NONE</w:LidThemeAsian> <w:LidThemeComplexScript>X-NONE</w:LidThemeComplexScript> <w:Compatibility> <w:BreakWrappedTables /> <w:SnapToGridInCell /> <w:WrapTextWithPunct /> <w:UseAsianBreakRules /> <w:DontGrowAutofit /> <w:SplitPgBreakAndParaMark /> <w:DontVertAlignCellWithSp /> <w:DontBreakConstrainedForcedTables /> <w:DontVertAlignInTxbx /> <w:Word11KerningPairs /> <w:CachedColBalance /> </w:Compatibility> 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<p class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 18pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 150%;"><!--[if !supportLists]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><span>5.  <span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal; -x-system-font: none;"> </span></span></span><!--[endif]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;">Finalmente, o ponto alto e central na argumentação contra o «Appel »seria a apologia acrítica da «comunidade», pelo que ela teria de «roubo da capacidade do indivíduo para decidir sobre a própria vida». Parece resultar daqui que toda e qualquer forma de partilha colectiva da existência, de cooperação e de comunicação entre indivíduos, de escolhas e decisões colectivas, seria irremediavelmente opressiva («colectivista» e «marxista») e teria como condição a perda da capacidade individual de fazer escolhas. Na sua definição do indivíduo como alguém que <strong>possui </strong>ideias, afectos e emoções próprios que não se desejaria ver circular, o texto de «Saltar no desconhecido» corresponde precisamente a uma das mais profundas críticas avançadas no «Appel»: “<em>O indivíduo liberal, aquele que nunca se exprime tão bem hoje em dia como quando se encontra nos movimentos pacifistas e cívicos, é aquele que é suposto ter apego pela sua liberdade, na exacta medida em que essa liberdade não seja comprometedora, e sobretudo que não procure impor-se aos outros.”</em> (p.25); <em>“Por entre as evidências liberais, há a de se comportar, até mesmo em relação às suas próprias experiências, como um proprietário.”</em> (p.26)<span> </span></span></p>
<p class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 18pt; text-align: justify; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"> Não nos interessa aqui desenvolver uma extensa análise histórica. Limitamo-nos a sustentar que é no seio de comunidades, num contexto de socialização, que os seres humanos desenvolvem todas as suas características próprias, incluindo as da rebeldia e da individualidade. Que um indivíduo privado do seu contexto social, cultural, económico e político, é uma ficção, porque todos nós somos, desde os primeiros momentos da nossa existência, influenciados, condicionados, formados, constituídos pelas necessidades relacionadas com a nossa subsistência. É precisamente porque desejamos autonomia individual e a possibilidade de viver segundo as nossas vontades e desejos, que a liberdade assume para nós uma forma mais complexa do que simplesmente algo a «tomar de volta». Não se trata de uma questão de «estado de espírito» ou de um inconformismo genético que alguns teriam a mais (permitindo-lhes ser rebeldes, insurrectos e autónomos) e outros a menos (condenando-os a ser passivos, conformistas, obedientes e voluntariamente servis). Os dispositivos de poder mais poderosos são precisamente os mais subtis e invisíveis, os que melhor se confundem com a paisagem e parecem tão naturais como a nossa sede. Seria ingénuo acreditar que o seu poder é meramente o da subtracção – eles são directamente produtivos e, através das relações que estabelecem, criam o território e o tempo que habitamos. </span></p>
<p class="MsoListParagraphCxSpLast" style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt 18pt; text-align: justify; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;">A liberdade que desejamos assume por isso a forma de um problema colectivo e estratégico, que exige uma perspectiva mais ampla do que a expressão dispersa e ocasional de indivíduos e grupos de indivíduos que se insurgem contra um aspecto específico das suas vidas. À escala da guerra civil mundial, trata-se de identificar um sinuoso caminho de cabras por onde possamos caminhar e viver, ao longo do qual as rupturas se multipliquem e se agreguem, onde a possibilidade do comunismo se exprima na disponibilidade para o encontro, para a experimentação de outras relações com o mundo e com nós próprios. Trata-se, como se escreve nesta convocatória, <em>“de nos organizarmos na base das nossas necessidades – de conseguir responder progressivamente à questão colectiva de comer, dormir, pensar, amar, de criar as formas, de coordenar as nossas forças – e de conceber tudo isso como um momento da guerra contra o império.&#8221;</em> <span> </span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><img class="aligncenter" src="http://fc07.deviantart.com/fs36/f/2008/257/a/e/Riot_Porn_by_liquidroot.jpg" alt="" width="555" height="399" /></span></p>
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		<title>Honduras: persistem os protestos contra golpe militar</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Jul 2009 21:13:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>emiliano</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Na manhã do dia 28 de Junho, o exército das Honduras - com a cumplicidade da Corte Suprema, da oposição parlamentar, das igrejas católicas e evangélicas e de grupos empresariais - sequestraram e expulsaram o chefe de governo Manuel Zelaya.
As comunicações e a electricidade foram cortadas, para que o golpe militar pudesse ocorrer no silêncio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" src="http://www.lahaine.org/b2-img09/honduras2.jpg" alt="" width="270" height="203" />Na manhã do dia 28 de Junho, o exército das Honduras - com a cumplicidade da Corte Suprema, da oposição parlamentar, das igrejas católicas e evangélicas e de grupos empresariais - sequestraram e expulsaram o chefe de governo Manuel Zelaya.</p>
<p>As comunicações e a electricidade foram cortadas, para que o golpe militar pudesse ocorrer no silêncio da noite, conforme os métodos habituais do pustch fascista.</p>
<p>O motivo evocado prende-se com a eventual realização de uma consulta popular não vinculativa, que propunha uma revisão constitucional. Uma das mudanças propostas, caso o resultado do referendo fosse favorável a Manuel Zelaya, era a possibilidade de re-eleição do presidente do governo (acumulação de dois mandatos, ao invés de um). Algo que, de acordo com Micheletti, o presidente imposto pelos golpistas, iria contribuir para uma eternização do governo no poder.<span id="more-685"></span></p>
<p>No entanto, as verdadeiras causas do golpe de estado poderão estar relacionadas com a aproximação de Zelaya a outros líderes latino-americanos, como Hugo Chávez (Venezuela) e Daniel Ortega (Nicarágua), aproximação assinalada pela adesão das Honduras à <a href=" http://es.wikipedia.org/wiki/Alternativa_Bolivariana_para_las_Am%C3%A9ricas">Alternativa Bolivariana para as Américas</a> (ALBA), iniciativa que pretende rivalizar com o projecto da <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/ALCA">Área de Comércio Livre das Américas</a> (ALCA), liderada pelos EUA.</p>
<p>O golpe de estado protagonizado pelos militares hondurenhos não constituiu uma osurpresa. Dias antes, o <a href="http://www.lahaine.org/index.php?p=39020">Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas das Honduras</a> havia publicado um comunicado &#8220;Estará um golpe de Estado a ser organizado?&#8221;, onde denunciava vários acontecimentos que apontavam para um eminente golpe militar: o assassinato de Mario Fernando Hernández, vice-presidente do Parlamento, e do atentado contra candidato das esquerdas à região de Tocoa. Segundo a organização, a ideia de legalizar as drogas como forma de lutar contra o narcotráfico, anunciada no discurso produzido por Zelaya na 18ª conferência internacional contra as substancias ilícitas, poderá estar por trás tanto do assassinato e do atentado, como do golpe de estado.</p>
<p>Milhares de pessoas invadiram as ruas para responder aos intentos dos militares e das elites hondurenhas. As manifestações e protestos foram desde o primeiro dias fortemente reprimidas pelas novas autoridades hondurenhas. No último Domingo, perante o anúncio do regresso de Zelaya às Honduras, uma multidão reuniu-se nas proximidades do aeroporto. A intervenção da polícia e militares resultou em dezenas de feridos e cerca de dois (três, segundo algumas fontes) mortes. Apesar da repressão, os <a href="http://www.lahaine.org/index.php?p=39010">protestos</a> continuam.</p>
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		<title>Entrevista a um trabalhador da Autoeuropa (PassaaPalavra)</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Jul 2009 16:08:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>emiliano</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Por que é que este pré-acordo foi recusado pelos trabalhadores?
Não é que os trabalhadores não queiram aceitar um acordo. Sabemos que há crise, sabemos essas coisas todas, mas só não aceitámos é o pré-acordo que fizeram. Há crise, querem fazer um acordo com os trabalhadores para ver se resolvem isso da fábrica, das crises todas. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft" src="http://www.jornalmudardevida.net/wp-content/uploads/2009/05/autoeuropa.jpg" alt="" width="288" height="192" />Por que é que este pré-acordo foi recusado pelos trabalhadores?</strong></p>
<p>Não é que os trabalhadores não queiram aceitar um acordo. Sabemos que há crise, sabemos essas coisas todas, mas só não aceitámos é o pré-acordo que fizeram. Há crise, querem fazer um acordo com os trabalhadores para ver se resolvem isso da fábrica, das crises todas. Só que propuseram uma cena aos trabalhadores e então os trabalhadores não aceitaram.</p>
<p><strong>Como é que surgiu esse pré acordo?</strong></p>
<p>A Comissão de Trabalhadores (CT) foi fazer um acordo com a administração: então fizeram um pré-acordo que impôs bué de cenas [muitas cenas] e uma das cenas é a que a gente não aceitou. Os trabalhadores têm down days. Sabes o que são os down days? São atribuídos 22 dias no início do ano, para balançar no mercado quando há baixa de produção. <span id="more-678"></span>Como há crise, há pouca produção, os trabalhadores vão para casa e gastam essas horas, e quem ficar com saldo negativo chega ao final do ano e tem que pagar.  Os que têm dias negativos fazem sábados para abater esses dias negativos; os que têm dias positivos fazem sábados na mesma, ficam com mais down days e no fim do ano recebem. Agora eles propuseram os sábados como dias normais de trabalho. Ou seja, vamos trabalhar de segunda a sábado e não há horas extraordinárias. Dantes os sábados eram pagos a 200% e depois, passado um ano, fizemos um acordo e já era a 100%; depois, passado uns meses, novo acordo e ficou em 75%. Agora querem 0%! Além de que não acumulavas aos down days as 8 horas que fazias aos sábados. Só acumulavas 6; e as outras duas horas?&#8230; E depois havia muitas contradições: há crise, há pouca produção, como é que vais fazer sábados, horas extraordinárias? Fizeram o plenário e como havia bué de contradições, coisas mesmo sem lógica, os trabalhadores não aceitaram.</p>
<p><strong>Mas disseste que os trabalhadores queriam um acordo?</strong></p>
<p>Saiu um abaixo assinado para reverem o acordo. Os trabalhadores querem uma solução para a crise, só não aceitaram a solução que eles impuseram. O &#8220;não&#8221; é isso. Fizeram ameaças: disseram que despediam os trabalhadores, entrávamos em lay off ou íamos trabalhar só um turno perdendo o subsídio (15% do salário). Fizeram ameaças se não aceitássemos o acordo. Se a gente aceitasse, não despediam ninguém e a gente fazia sábados a horas normais. Fazíamos 2 sábados este ano e acho que é 10 ou 20 para o próximo ano. Isso começou a contradizer tudo: se há crise, não precisam de sábados, e eles disseram que fazemos sábados quando há produção alta e quando não há vamos para casa&#8230; Dissemos ok, mas em Setembro marcaram dois sábados e está previsto uma baixa de produção em Setembro&#8230; como é que marcaram dois sábados?! Essas contradições, e outras cenas que já houve dantes com o anterior acordo, fizeram com que o trabalhador dissesse não a este acordo.</p>
<p><strong>Sabes se quem votou contra foi pessoal mais afecto ao sindicato ou à CT?</strong></p>
<p>Nas votações há 6 mesas: a da administração (as chefias, os cabeçudos) votou &#8220;sim&#8221;; a mesa 2, dos mais velhos, os veteranos que estão lá há muito tempo, também votou &#8220;sim&#8221;; nas mesas 3, 4 e 5 da maioria, dos que estão há 8 ou 10 anos, ganhou o &#8220;não&#8221;; na mesa 6, dos que estão há menos tempo, os contratados votaram &#8220;sim&#8221;. Porque são os mais precarizados, os que estão a ser ameaçados. A maioria é para serem efectivos, e eles não querem passar ninguém a efectivo e estão a ameaçar mandá-los embora.</p>
<p><strong>Como se fazem os acordos?</strong></p>
<p>A administração propõe o acordo. A CT vai negociar. Senta-se à mesa, faz reuniões. Depois faz um plenário, fala com os trabalhadores sobre o que a administração propôs e depois a CT, com base se é justo ou não, se aceita ou não, negoceia com a administração e fazem um pré-acordo. A CT vai propor aquilo aos trabalhadores e os trabalhadores assinam se aceitam ou não.</p>
<p><strong>Vocês vão sendo informados do que se passa?</strong></p>
<p>Vão metendo papéis a informar do que está a ser negociado, daquilo que eles decidem, ou seja, a administração diz &#8220;estamos em crise, se calhar vamos ter que entrar em lay off ou despedir trabalhadores ou meter muitos down days que o pessoal vai ficar com muitos negativos&#8221;&#8230; Dão três opções e a CT informa os trabalhadores e vai negociar com estas três opções, e então fazem o acordo. Do que decidirem informam os trabalhadores: &#8220;eles propuseram isto e a gente negociou assim&#8221;. Os trabalhadores vão votar se querem ou não.</p>
<p><strong>Portanto são informados?</strong></p>
<p>Somos, de certa forma, mais ou menos informados.</p>
<p><strong>Quando vão negociar já discutiram com os trabalhadores?</strong></p>
<p>Sim, é aceite quando a gente assina.</p>
<p><strong>Antes de votarem este pré acordo, já tinham discutido convosco primeiro?</strong></p>
<p>Antes de ir a votos há um plenário&#8230; Havias de ver este&#8230; toda a gente estava contra. A maioria que falou não aceitava o pré-acordo porque só prejudicava os trabalhadores e só beneficiava a administração.</p>
<p><strong>Então, foi bem discutido?</strong></p>
<p>Foi. Tivemos plenário, discutimos, conscientes, fomos a votos e o &#8220;não&#8221; ganhou. Mas mesmo assim queríamos que houvesse um acordo, mas não aquele.</p>
<p><strong>Como é que os trabalhadores estão organizados para tratar dos assuntos que lhes interessam?</strong></p>
<p>Há a CT e os sindicatos, que são vários. Acho que há três.</p>
<p><strong>Como é a relação entre os sindicatos e a CT?</strong></p>
<p>Eles dizem que a CT vai muito na conversa da administração. Tanto que no último plenário a acusaram muito. Dizem que faz acordos mais a beneficiar a administração. O sindicato não. O sindicato é aquele que de certo modo apoia os trabalhadores, faz manifestações contra aquelas coisas que ao longo dos anos têm sido sempre aprovadas, e a CT estava lá e mesmo assim houve muitas muitas coisas que passaram e que os trabalhadores não queriam. A CT não faz manifestações. Quem faz são os sindicatos. A CT tem aberto as pernas sempre a tudo, tudo. Tanto que neste plenário queria que a gente votasse &#8220;sim&#8221;&#8230; como sempre passou o &#8220;sim&#8221;&#8230; mas os trabalhadores agora abriram os olhos.</p>
<p><strong>Como são as relações entre os trabalhadores mais estáveis e os contratados?</strong></p>
<p>São boas. Os que estão há mais tempo, os mais estáveis, sempre apoiam os contratados. Porque em todos os postos de trabalho estão 3, 4 ou 5 contratados e se os tirarem é sobrecarga para os que estão lá. E depois os contratados sempre se deram bem com os que estão lá há muito tempo. Tanto que para fazerem ameaças, eles ameaçam com os contratados porque sabem que eles os apoiam um bocado.</p>
<p><strong>Mas o &#8220;não&#8221; ganhou também por estarem fartos da redução dos direitos?</strong></p>
<p>Os trabalhadores querem um acordo, mas este não. Porque não queriam mesmo, porque é um acordo mau e há outras soluções. É por isso que votaram contra. Não é porque já estão fartos das cenas e agora vão passar uma rasteira a administração, não é nada disso. Este &#8220;não&#8221; é porque há contradições e há outras soluções.</p>
<p><strong>Achas que a CT podia ter feito melhor ou os sindicatos?</strong></p>
<p>Não sei se sindicatos têm muito voto nas negociações, se intervêm&#8230; acho que é só mesmo a CT e é a voz só de alguns que vão a reuniões, discutem e decidem um pré-acordo que vão propor aos trabalhadores que votam &#8220;sim&#8221; ou &#8220;não&#8221;. Também eles não podem decidir qualquer coisa e então vão aos trabalhadores que votam.</p>
<p><strong>Como é que os trabalhadores controlam os seus representantes e o que se passa nas reuniões com a administração?</strong></p>
<p>A gente não sabe nada. A gente só é informado&#8230; há um papel lá fora&#8230; a gente tira o papel&#8230; lê o que a administração propôs, o que a CT negociou, o que está para negociar&#8230; só isso. Agora as reuniões,&#8230; a gente não participa, não sabe o que se passa lá dentro.</p>
<p><strong>Estão todos ligados, os trabalhadores da AutoEuropa com os do Parque Industrial?</strong></p>
<p>Estão, estão todos unidos, são solidários.</p>
<p><strong>E os das outras empresas da VW de outros países têm-vos dado apoio?</strong></p>
<p>Não. Não temos recebido.</p>
<p>Mais info: <a href="http://passapalavra.info/?p=7498">1</a>, <a href="http://www.radioleonor.org/?p=674">2</a></p>
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		<title>Qual o significado da Autoeuropa?</title>
		<link>http://www.radioleonor.org/?p=674</link>
		<comments>http://www.radioleonor.org/?p=674#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 21 Jun 2009 19:47:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>emiliano</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Eleita como a empresa que demonstra a entrada do país na modernidade, a Autoeuropa, mais do que uma unidade produtiva, é um símbolo. Um símbolo de uma economia direccionada para a exportação, de um país inteiramente integrada numa rede transnacional de produção, distribuição e consumo de bens e serviços, de um novo modo de se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" src="http://economiafinancas.com/wp-content/uploads/2008/01/fabrica_automoveis.jpg" alt="" width="280" height="238" />Eleita como a empresa que demonstra a entrada do país na modernidade, a Autoeuropa, mais do que uma unidade produtiva, é um símbolo. Um símbolo de uma economia direccionada para a exportação, de um país inteiramente integrada numa rede transnacional de produção, distribuição e consumo de bens e serviços, de um novo modo de se trabalhar e de se ser trabalhador em Portugal.</p>
<p>A sua relevância no tecido produtivo nacional faz com que o seu poder de influência seja superior ao de outras empresas. Cada vez que a Autoeuropa anuncia a diminuição de encomendas, governo, câmaras municipais e partidos entram em pânico, pois não se está apenas perante a hipótese de encerramento de uma empresa com um elevado peso percentual no Produto Interno Bruto e na balança de pagamentos internacional, nem tampouco apenas do desemprego dos trabalhadores da Autoeuropa.<span id="more-674"></span> Com a entrada deste magno projecto na península de Setúbal desenvolveu-se no eixo Palmela-Setúbal um processo de integração vertical, em que a actividade produtiva da Autoeuropa surge como catalisadora do aparecimento de uma série de empresas fornecedoras, conforme o modelo de <em>lean production</em> (em rede): fornecedores de componentes, empresas subcontratadas, distribuidores e vendedores de automóveis. Ou seja, sem a Autoeuropa, muitas outras empresas deixarão de existir.</p>
<p>Para além da sua relevância no âmbito da (debilitada) produção nacional, o símbolo Autoeuropa é igualmente fruto de uma outra maneira de fazer as coisas. De certa forma, este conglomerado representa a vanguarda que comanda a longa caminhada do analfabetismo empresarial português rumo ao século XXI. Nas diversas áreas das empresas, os últimos gritos da organização psicossocial do trabalho são objecto de aplicação: as linhas de montagem e todos os processos de trabalho funcionam com base em equipas formadas por 10  a 12 pessoas - coordenadas por um líder nomeado pela direcção da empresa - responsáveis pela gestão do processo de trabalho. Enquanto membro de uma «comunidade», espera-se que o operário contribua para a dinamização da actividade do grupo, propondo alterações aos métodos de trabalho e contribuindo, por um lado, para a comunicação dentro do grupo e entre os vários sectores e departamentos e, por outro lado, para a acérrima competição entre grupos com as mesmas responsabilidades (competição esta incentivada pela empresa, através de um sistema de rankings, metas e prémios). A Autoeuropa, mais do que garantir, obriga o trabalhador a ser dotado de um certo e limitado grau de autonomia (uma vez que o operário não só não tem qualquer poder de decisão relativo aos objectivos de produção, como também é sujeito a uma ordem hierárquica interna ao grupo).</p>
<p>A participação do operário na gestão do processo da sua própria alienação é reforçada por todo uma cultura empresarial que enfatiza a figura do «colega» e do «colaborador», e não a do trabalhador: patrões, chefes de equipa e operários, todos almoçam no mesmo refeitório; quando alguém tem um filho ou se casa, a notícia aparece no jornal da empresa; uma vez por ano, as portas da empresa abrem aos amigos e à família dos trabalhadores (como se este fosse o seu lar).</p>
<p>A aparente paz social vivida no seio da empresa não é, contudo, apenas um reflexo desta cultura. Em termos de relações com os representantes dos trabalhadores, a administração da Autoeuropa desenvolveu uma inteligente estratégia de conflito, a qual passou pela secundarização das organizações sindicais, em detrimento das comissões de trabalhadores. De acordo com António Damasceno Correira, sociólogo e ex-responsável dos recursos humanos da Autoeuropa, &#8220;o facto de ser a comissão de trabalhadores o órgão que seria privilegiado na relação com a empresa tinha também a enorme vantagem de ela nunca poder promover ou decidir o recurso à greve, já que legalmente são os sindicatos as únicas entidades com legitimidade e competência para declarar a greve (cf. artigo 2.º da Lei n.º 65/77, de 26 deAgosto). E isto tinha a enorme vantagem de enfraquecer o interlocutor das futuras relações laborais&#8221;<a name="_ftnref1" href="#_ftn1">[1]</a>.</p>
<p>Após ter determinado as alterações aos contratos colectivos de trabalho na indústria automóvel (após negociação com os sindicatos do sector), a Autoeuropa decidiu limpar a casa: privilegia o diálogo com a comissão de trabalhadores, negoceia com os sindicatos apenas quando é necessário e, inclusivamente, montou um estratagema de difamação e repressão sindical (que, de acordo com Damasceno Correia, incluiu a edição de comunicados não assinados e a proibição da entrada na empresa de dirigentes sindicais). Não se trata de defender o sindicato ao invés da comissão de trabalhadores, ou vice-versa. Mas sim de reconhecer, neste preciso caso, no fortalecimento da comissão de trabalhadores e no enfraquecimento do sindicato uma tentativa de superação do conflito social.</p>
<p>Porém, toda esta paz social é atravessada por profundas contradições, cada vez mais manifestas. Após o acordo de empresa em 2003 - que em troca do congelamento salarial permitiu uma política de não-despedimentos através de &#8220;conta-tempo&#8221; (trabalhador tem direito por ano a 22 dias de não trabalho, em que o trabalhador recebe à mesma e que não constituem período de férias) - em 2005, a administração da empresa conseguiu que os sábados e feriados passassem a ser pagos apenas a 100% (contra a norma dos 200%) durante lançamentos de novos produtos e em cinco sábado/ano em picos de produção. Ou seja, verificou-se uma diminuição do poder de compra dos operários.</p>
<p>Perante a crise económica mundial e a exponencial diminuição da compra de automóvel, a Autoeuropa volta a propor alterações ao acordo de empresa. As suas propostas são as seguintes:</p>
<p>1)      Passagem de dois para um único turno de trabalho, com redução do vencimento, por via do fim do subsídio de turno equivalente a 15 por cento do salário, e com o despedimento de centenas de trabalhadores a contrato;</p>
<p>2)      Ou manutenção dos dois turnos com redução diária da produção, com consequente diminuição do salário em 34 por cento;</p>
<p>3)      Ou manutenção dos dois turnos, com mais dias de paragem ao longo do ano, e a serem recuperados em trabalho ao sábado em fase de aumento da produção. Neste último ponto, a direcção pretende que os sábados sejam pagos como dia normal de trabalho.</p>
<p>O que é sugerido, resumindo, é a diminuição salarial (em caso de diminuição de produção) ou o aumento do tempo de trabalho (via a inclusão do sábado nas fases do aumento da produção). Ambas as soluções foram rejeitadas por votação dos trabalhadores da Autoeuropa, tendo a sua decisão provocado indignação nas mais distintas franjas sociais: do próprio dirigente da comissão de trabalhadores António Chora, ao presidente do conselho de administração da Sonae, Belmiro de Azevedo, o qual classificou a decisão de &#8220;Numa altura em que há falta de emprego, as pessoas ainda têm uma exigência estranha&#8221;. À semelhança do que aconteceu em outras alturas, a bandeira da ameaça de deslocalização - e consequente aumento do desemprego na região de Palmela-Setúbal - é agitada, perpetuando assim uma coerência chantagista, inerente não só à Autoeuropa, mas à própria lógica empresarial.</p>
<p><strong>(artigo em continuação)</strong></p>
<hr size="1" /><a name="_ftn1" href="#_ftnref1">[1]</a> Segundo Damasceno Correia, &#8220;A escolha de um «líder» para esta comissão que inspirasse a capacidade de defesa dos interesses dos restantes colegas e que, simultaneamente, revelasse à empresa as informações necessárias foi ainda o aspecto mais difícil de ultrapassar. Tudo isto acabou por ser obtido através de um convite dirigido a um membro que mostrava enorme capacidade de persuasão dos colegas e que era permeável a uma forte influência. Foi com este dirigente da comissão de trabalhadores que a empresa estabeleceu uma <em>entente cordiale</em> que permitiu, na véspera dos grandes embates, conhecer antecipadamente, através de uma reunião sigilosa entre ele e o director de Recursos Humanos, quais os pontos que seriam objecto de análise na reunião do dia seguinte e a provável maneira de os ultrapassar.&#8221;. http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1218812180K1mRW6sj7Ee06WQ7.pdf</p>
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		<title>Para lá do Passadiço</title>
		<link>http://www.radioleonor.org/?p=666</link>
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		<pubDate>Sun, 07 Jun 2009 20:13:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>goharu</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Dossiers]]></category>

		<category><![CDATA[Passadiço]]></category>

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		<description><![CDATA[ 


Seria possível em lisboa e com quem para lá deste ou daquele se lhes apetecer na altura é capaz de dar onde em que local e como poderá funcionar fazia mesmo falta não há sítios para ir não há nada para fazer estou farto do bairro estou farto dos artistas e dos spots caros [...]]]></description>
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<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-668 aligncenter" title="passadico" src="http://www.radioleonor.org/wp-content/uploads/2009/06/passadico.jpg" alt="passadico" width="400" height="348" /></p>
<p class="MsoNormal">Seria possível em lisboa e com quem para lá deste ou daquele se lhes apetecer na altura é capaz de dar onde em que local e como poderá funcionar fazia mesmo falta não há sítios para ir não há nada para fazer estou farto do bairro estou farto dos artistas e dos spots caros e um gajo passa-se quando vê estas cenas todas e vê que em lisboa estamos mesmo na estaca zero mas a tentar não vai dar o pessoal tásse a cagar depois vinha o pessoal artistóide e ia logo sabotar a cena porque não estão dispostos a uma série de cenas não sei não sei era melhor no entanto se tentássemos ir mais longe do que o pessoalzinho mas o pessoalzinho passa-se e não quero os intelectualóides o pessoal que não faz nem deixa fazer é fodido esse cromo não esse gajo é uma ganda mamado mas ia ser brutal o pessoal todo a curtir a cena ia tornar-se num elemento político a ter conta inúmeras coisa a sair dali até sermos todos presos mas também já se tentou e morreu e a maioria dos envolvidos hoje estão a pensar na carreira ou olham com sobranceria para as cenas que se tentem refazer dá-se demasiada atenção a esse pessoal desiludido não vale a pena habitam a cena como os reformados habitam o jardim mas era fixe tentar desenvolver de uma maneira diferente que ainda não tivesse sido desenvolvida radicais mas na boa começar a pensar como é que pelo menos um dia se podia começar a partir tudo talvez chegar a outros sítios tentar falar com algum pessoal das associações e de outras cenas mesmo se calhar pessoal do bloco cagava no bloco e curtia a cena não sei não têm reportório de acções se calhar até curtem mas ficam sempre assustados que está sujo e que o pessoal é fodido e não quer nada com eles não sei até há alguns que não se importariam mas e depois o pessoal ia ficar naquela há bué pessoal com quem eu curtia fazer algumas cenas mas esse pessoal mesmo mais fixe do bloco é ultra poser não dá para confiar estão sempre a tentar aproveitar a cena para a cena deles mas iá se calhar altos festões o pessoal lá passa-se não se passa nada só há a merda da zdb e a merda do lux e quem é que vai ao lux não há pachorra para essa onda de ir ao lux não há pachorra para essa onda de ir à zdb não há paciência para nada não se passa nada não quero voltar um gajo perde bué de coisas fechado em lisboa nem percebe quantas coisas é que perde nem em que nível podia estar tudo sinto-me estúpido quando lá estou por isso é que é preciso organizar a revolução para queimar lisboa queimar a zdb queimar o lux queimar o estádio queimar tudo.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Quando comparada com qualquer outra cidade europeia, Lisboa revela-se atrozmente carente de espaços físicos e imaginários de subjectivação do existente. A crítica a uma política cripto-autoritária, que invade corpos, sinapses, relações e sobrevivências talvez de maneira nunca tão ousada, não existe nem nas suas formas organizadas, enquanto movimentos políticos, nem nas suas formas espontâneas, enquanto momentos artístico-culturais. A Mediocridade existencial pela qual se arrasta a juventude lisboeta que se considera alternativa, só é comparável à péssima anedota que se tornaram os sítios clássicos e não tão clássicos de rebeldia e dissensão: o bairro alto, as vanguardas artísticas, a extrema esquerda, as tribos urbanas. Tudo oscila entre uma mesquinhez satisfeita e um pseudo-cosmopolitismo bastante provinciano. É por isso que se propõe a ocupação de um espaço que possa servir como base de funcionamento a diversos colectivos, que visem propor um devir subversivo da cidade por meio de festas intermináveis pontuadas por cocktails molotov e orgias entres as barricadas. Acabar na prisão depois de mil orgasmos dentro de um Colombo saqueado será melhor do que uma vida dedicada a votar no Bloco de Esquerda e a passar as<span> </span>sextas no Lux.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Sexta à tarde na gulbenkian às seis não às sete eu não posso ir segunda à tarde na éfecêésseagá na nova mais tarde no parque eduardo vii a cena é tentar terça à tarde no adamastor ocupar um espaço que possa servir para várias cenas já tínhamos falado no algarve quarta-feira lá como não há muito pessoal pensou-se em tentar falar com pessoal de outras associações para ajudarem o pessoal tá a encontrar-se para falar de ocupar uma cena mas isso já se fez não tenho cu para semana também estava bué gente vinte cinco pessoas o bacano parecia dos resistência com aquele lençinho foi fixe estava imensa gente que não conhecia mas aqui quem é que manda estas são as moradas que vamos ver a casa da rua x está emparedada não tem tecto é bué arranjada tem uma placa de obras aprovadas pela câmara já não dá sábado às seis às sete ainda ninguém chegou podemos falar com os xx e os yy mandei um mail aos punks se calhar aparecem o pessoal dali curtiu a ideia o coiso diz que só depois da casa estar ocupada não tenho paciência para assembleias depois apareço entrámos ontem à noite a casa é brutal é enorme três andares cagamos nisso os gajos disseram que gostavam da ideia como é que entramos já passaram dois meses estou farto de falar a ideia é ocupar mas fazer a cena de maneira diferente mais aberta um sítio onde o pessoal vá e não se sinta posto de parte por parte dos ocupas onde possa ir bué gente tipo festas debates jantares ciclos concertos onde vários colectivos possam funcionar tornar a ocupação num sujeito político fazer política fazer política fazer política não gosto da expressão fazer política eu não quero ser político ninguém está a falar de ser político mas de tentar ter uma intervenção que não seja só a nível do pessoalzinho de sempre tomar uma posição quando se passarem cenas importantes criar cenas importantes o pessoal em itália tem casas gigantes onde se passam um milhão de cenas quando a policia lá entrou no dia seguinte houve uma manif com cinco mil pessoas estrilho total lá a bófia entra a matar mas também leva a matar criar movimento criar dissensão criar contrapoder organizar-mos a nossa vida de maneira a podermos torna-nos uma força de subjectivação eu quero fazer uma horta comer natural um sítio onde sair da babilónia tranquilo com os meus amigos estar lá na boa com pessoal que conheço eu quero mil pessoas todos os fins de semana mas assim o pessoal só lá vai consumir e não deixa nada mas se calhar isso já é alguma coisa e para viver eu curtia viver lá não devia ser de habitação mas sim um centro social<span> </span>mas iá se calhar é fixe que vivam lá um par de pessoas quando é que entramos quinta-feira às três no beau sejour já não entramos então quando é que se entra o pessoal não se conhece bem temos de ser todos amigos íntimos eu quero mais amigos íntimos é bom ter amigos íntimos.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">O poder não se possuí, exerce-se. É nos momentos de ruptura inesperados que se reavaliam as forças e as possibilidades de exercício de contrapoder. Ao ocupar um espaço previamente destinado a cair de podre na sua inutilidade, a fazer aumentar o preço das outras casas ou à espera de um qualquer projecto de reabilitação que o permita transformar em mais um espaço de normalização da miséria quotidiana, seja esta de luxo ou não, mudam-se as regras do jogo nem que seja temporariamente: o exercício de uma escolha lógica mas proibida mete a nu a hipocrisia das acenadas liberdades democráticas.<span> </span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Já lá entramos dá para entrar pela garagem há uma parte em cima que não está tijolada dá para saltar o muro há uns buracos na porta emparedada dá para meter os pés depois agarras-te à grade e saltas depois mudas a fechadura temos fechadura sete euros na feira da ladra temos de partir a tijoleira da porta primeiro o x e a y ficam cá fora a ver se chega alguém z fica a partir os tijolos w leva as cenas lá para dentro u está em casa de v a cozinhar para a gente depois logo vem cá ter vamos pendurar as faixas escrever uma carta aos vizinhos pendurar coisas pintar as paredes de fora não podemos escrever nada muito hardcore podemos comer todos quem é que fica cá a dormir como é que fazemos limpar duas ou três salas para se poder dormir dá para mijar no jardim o coiso mandou sacos cama quem é amanhã fica cá quem é que pode sair eu trabalho às três eu tenho aulas às duas não temos água há uma fonte na praça lá em cima são precisos jerricans e garrafas vazias de cinco litros amanhã passa cá o t e ficamos todos a dormir o coiso não pode ainda está a trabalhar mas amanhã já vai poder ainda não dormi nenhuma noite é preciso limpar o jardim limpar a sala grande limpar o quarto limpar a cozinha limpar a casa de banho limpar os quartos do fundo limpar o corredor limpar o sótão o sótão é gigante está cheio e merda não podemos meter as coisas aí está cheio de merda merda dos carochos merdas dos ucranianos os putos os putos os putos há um puto fixe que está cá ficar connosco há bué há uns otários stresses em casa vêm cá todos os dias era fixe fazer cenas com a vizinhança eu afinal estou numa de ficar cá a viver eu também dá para fazer mais quartos ali depois estamos todos a dormir no quarto dos fundos o dormitório a casa de banho já funciona não conseguimos abrir a água já há luz aqui péssima iluminação sinto-me uma dona de casa.<span> </span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span> </span>pá eu envolvi-me neste projecto e para mim uma casa ocupada é eu sei o que é que é para ti uma casa ocupada já me disseste trinta mil vezes o que é que é para ti uma casa ocupada e estou farto de saber o que é que é para ti uma casa ocupada não há uma merda de uma assembleia que tu não me digas o que é que é para ti a merda de uma casa ocupada não gosto do flyer não percebo o flyer o que faz esse bacaninho chinês no flyer não acho piada que nome é que damos à casa nagasaki soviete experimental nagasaki passa disso às de espadas torrebella torrebela c.s.o.a. nagasaki nagasaki não odeio nagasaki projecto américa passa disso nagasaki torrebella casa das pretas do telhal do passadiço não sei depois pensamos tenho que meter um nome no flyer não gostei do nome que meteste no flyer tinha que meter algum nome esta casa não é um paradiso queremos fazer um bar no sábado não demasiada gente as associações não apareceram demasiado barulho limpar o pátio e o cubículo ao lado pode servir para fazer o bar não eu quero fazer o quarto das ferramentas não da serigrafia está a ficar mesmo bonito era fixe chamar pessoal para fazer uns grafs cá dentro não pintamos de amarelo amarelo não gosto de amarelo mas pinta-se à mesma fazemos bar hoje limpar eu tudo eu quero propor um ciclo de debates era mais fixe debater entre nós eu não sei o que é tu que pensas sobre as prisões eu também mas não me interessa saber o que é tu pensas sobre as prisão interessa-me saber mais sobre a sociedade carcerária e não trocar ideias entre um grupinho mínimo de pessoas eu não vou aos debates não me dizem nada eu quero fazer cenas para mim estamos a fazer horta houve jogo da bola com os putos o coiso expulsou um puto tu és comunista mas os anarquistas também participaram no governo na catalunha isso é peta és um infiltrado conheço-vos há anos e os comunas infiltram-se nestas coisas há bófias à paisana hoje é bar comprar cervejas no feira nova que dinheiro é que temos eu posso meter algum não apareceu muita gente o coiso está todo bêbado o pessoal todo de benfica não se pode ir lá para cima isto é a minha casa eu não quero gente em minha casa então separa os espaços demasiada gente nos filmes os filmes eram demasiado hardcores nós não somos terroristas nós não somos assim não fiques a pensar que somos terroristas se passamos filmes sobre a luta armada a polícia vai ficar a pensar que somos terroristas estava frio e o pessoal foi todo lá para cima o pessoal entra aqui e não sente à vontade o pessoal está sempre de trombas vocês querem ser os disobbidienti portugueses ma che disobbidienti portoghesi vatene fanculo o pessoal está todo bêbado a mascarar-se na loja grátis eu não quero viver num sítio onde acorde às sete da manhã com o pessoal a cantar a internacional em coro lá em baixo então não venhas viver para um centro social mas no fundo quem está a viver mais a casa e a trabalhar mais lá é o pessoal que lá está a viver sim mas no início só uma pessoa é que lá queria viver e agora há quinze pessoas que depois não deixam fazer nada porque é a casa delas e eu também não quero fazer um centro social em minha casa mas se não fosse as pessoas que lá viviam a casa não sobrevivia a situação dos imigrantes enquanto novo proletariado as prisões e as sociedades que as criam o urbanismo moderno repressivo e os guetos mais os filmes que nunca se chegaram a mostrar e a casa cada vez mais bonita olá há jantar hoje não não há jantar e o centro social é lá em baixo bazem da minha cozinha já não suporto os putos o quintal para eles o segundo para nós o primeiro para centro social é preciso separar os espaços na festa havia bué da gente eu não curti o bate pé nazi havia imensa gente aquele orientou-se com aquela aqueles foram para o quarto o coiso ficou lá bezano a dormir o não sei quantos caiu e partiu uma garrafa de vinho a orgia foi fixe eu não gostei não houve orgia houve três a música estava má essas pessoas vêm cá e só consomem não deixam nada a mailing list ainda não foi feita os mails estão já lá escritos há um mês quem é o proprietário é a caridade é uma imobiliária é um privado eu conheço um gajo ele diz que podemos ficar o que é que fazemos no despejo resistimos não resistimos logo se vê vai chegar a primavera os putos estão de férias os puto estão todos a foder uns com os outros não gostei das performances aconteceram tantas coisas não me lembro o pessoal já se conhece há estrilho a casa não está a servir para o que combinamos eu não quero mil pessoas cá dentro e eu é que estou todos os dias a pintar a lavar a apanhar com os putos vieram nazis disseram que se calhar voltavam cá é preciso mais gente a dormir fugimos pelo hospital.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Os processos de libertação falham quando deixam de ser devires para se tornarem exercícios de programas, quando deixam de tentar fugir da história para se enquadrarem na história, quando deixam de tentar criar movimento para tentarem entrar num movimento. O abismo entre o que sabemos teórica e esteticamente e o que sabemos empiricamente faz com que os discursos que possamos ter caíam num limbo introspectivo e auto-referencial: de um entusiasmo inicial que prevê em cada quarto um Pompidou anarquista chega-se à conclusão que não se consegue tal façanha porque não se sabe nem como lá chegar nem exactamente onde é que se quer chegar. Aí o espaço deixa de ser o espelho de Alice para se tornar numa repetição colorida da máquina de viver Corbusiana?</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Mas onde é que está a gente que queria usar o espaço onde estão as pessoas que deviam vir aqui e desfrutar do sítio afinal em lisboa não se precisava de um espaço assim afinal o pessoal está-se a cagar e está contente de não fazer nada de ir aos mesmos sítios de sempre o pessoal não se sente aqui à vontade as pessoas chegam e ninguém lhes fala as pessoas que porventura gostariam de se envolver são marginalizadas e mandadas embora isto é a minha casa o coiso diz que lhe disseram que estamos a ser investigados pela polícia espanhola que há um juiz que nos quer foder que os estrangeiros têm de ir embora que a pj está a investigar-nos ontem passou um carro da pj e deu a volta ao quarteirão há pessoal aqui na casa identificado em outros países.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Afinal não só Lisboa passa bem sem um centro social como o centro social passa bem sem uma Lisboa, nenhum dos dois percebeu o que é que podia aproveitar do outro. Para o ressentimento de uma parte dos ocupantes pouca gente está interessada em sair da mediocridade quotidiana quase omnipresente nesta cidade, porque provavelmente não há assim tanta gente consciente dessa mediocridade ou que se incomode sequer com ela. A melancolia de Lisboa é uma tristezazinha confortável e assim a melancolia da casa ocupada tornou-se também ela tristemente confortável.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">O puto queria andar à porrada e levou com um balde de água suja em cima e disse que ia chamar o irmão do gajo é facho o gajo vem aí não se metam com o irmão do gajo é fodido já esteve na prisão o gajo vêm aí partir a porta e vai querer matar o coiso não deixamos o gajo entrar vamos barricar a porta o gajo chega às quatro e meia e vai trazer amigos fachos da juve vou telefonar a mais pessoal tá vamos ter stresses com carecas dá para vires para cá dá para passar por aqui eu já telefonei a umas quantas pessoas e mandei mensagens tá pessoal a vir para cá o coiso está em chelas diz que se houver estrilho traz os amigos dele para aqui mas se os traz vai haver circo mesmo a sério calma vamos ver como é que corre ficamos uns cinco dentro da casa a porta está fechada barricamos um bocado os putos já estão todos cheios de estrica vai haver estrilho a porta está fechada vamos meter paus correntes garrafas ferramentas aqui assim mesmo se entrarem a gente defende-se a porta está aberta o gajo entra onde é que está o coiso eu mato o coiso como é o que gajo entrou és tu o italiano e se for se fores tás morto vai haver estrilho eu não sei se consigo partir uma garrafa na cabeça de alguém a sangue frio então há estrilho o gajo vem aí e não vai parar temos de o aviar logo então siga o gajo saiu fecha a porta depressa abre esta porta caralho PAM PAM PAM abre a porta óh filha da puta vou-vos matar a todos tá os carochos aqui da minha rua bateram no meu irmão mas tásse bem trato disto sozinho vou-vos matar PAM PAM PAM pontapé na porta chaval acalma-te vou partir esta merda ouve lá chaval acalma-te eu só quero foder o italiano vocês se se meterem também levam na boca mas chaval quem é que achas que leva na boca estão vinte pessoas na rua achas que vais partir a boca a alguém tou-me a cagar eu fodo a minha vida pelo meu irmão já estive na prisão e fodo a minha vida e também levas tu óh puta que está a rir se o gajo bater em alguém saímos e aviamos logo o gajo o gajo é grande e tásse a passar temos de o meter logo knock out senão ele mata alguém ele disse que ia casa buscar a pistola é bluff o gajo não foi PAM PAM PAM se o gajo entrar está tudo fodido se lhe batermos temos de bazar imediatamente e nunca mais cá aparecer no bairro chamamos os mitras isso ia ser mesmo sangue caga a coisa foi falar com o presidente da junta FODASSE mas qual presidente da junta o gajo vai chamar a bófia não queremos bófia fodasse caralho merda está a chegar a polícia estão a identificar o gajo ele tem antecedentes se a coisa fizer queixa o gajo vai dentro tem pena suspensa fodasse agora que a bófia veio ninguém nos vai respeitar saímos disto mesmo da pior maneira possível agora tásse a passar o outro diz que atirámos uma pedra à filha dela fodasse temos de aviar este também o gajo tásse a passar diz que viu o italiano a atirar uma pedra à filha dele e quer matar o italiano ganda merda o gajo não devia ter atirado o balde mas atirou está atirado e estamos todos juntos a cena já acalmou os putos tomaram o segundo andar e foderam uns livros e uns cartazes odeio os putos putos de merda aquele merdas vem cá todos os dias e hoje estava todo galifão é um merdas reagimos a isto da pior maneira possível perdemos mesmo porque é que se chamou a polícia.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Recebi o telefonema é na segunda que nos despejam o que é que fazemos bazamos fazemos uma manif resistimos saímos e montamos arraial na praça do município por mim procuramos já outra casa há uma ali que chegámos a ver não tenho paciência para limpar tudo outra vez arranjar tudo outra vez eu não quero ocupar outra casa de habitação para depois só morar lá gente e não se passar lá nada este sítio é grande de mais e próximo não pode ser assim tão grande eu não quero morar num sítio tão grande para mim agora não faz sentido alugar uma casa estou a gostar de morar com tanta gente é bom ter amigos íntimos fazemos a festa de despedida na sexta fazemos os flyer é o último dia podemos fazer o barulho que nos apetecer e meter centenas de pessoas aqui dentro mandei o flyer para uma série de gente odeio o flyer o flyer é sexista porquê porque é chunga porque usa as mesmas tácticas da publicidade ninguém é capaz de dizer que não gosta do flyer porque acha que qualquer foto de uma mulher nua é sexista já não vos suporto façam vocês a merda do flyer tou-me a cagar para esta merda<span> </span>a casa vai ser despejada já não tenho que vos aturar e podem ir todos para o caralho.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Está toda a gente presa na esquadra do terreiro do paço entraram trinta bófias de cara tapada vamos para lá falar com advogados este não pode a bacana está a falar com o pai ele chamou o tio e aquele da outra vez na rua de trás dá para ver a sala onde estão a minha irmã pode vir tragam-nos cigarros não se pode falar à janela PAM um de vocês pode entrar para dar as cenas que comprarem tomem sumos bolos sandes como é que é a situação sr. guarda sr. agente eles tem de assinar umas coisas depois podem sair o pessoal não quer assinar nada até chegarem os advogados que declarações querem dar não queremos dar declarações vão começar a sair aos poucos olha o coiso onde é que estão as nossas cenas estão num armazém podemos ir lá buscar eu preciso de ir à procura do meu cão está a sair mais pessoal a bacana conseguiu fugir da esquadra estão a sair mais mas afinal o que é que se passou eu estava a dormir ouvi um estrondo entrou um bófia no meu quarto e disse-me quieto filho da puta não te atires pela janela e meteu-me um pé em cima eu acordei com os gritos vesti-me e entraram cinco bófias um de cara tapada outro a filmar a casa e os cartazes revistaram-me encostaram-me à parede apontaram-me a arma levaram-me para o pátio estava um a meter todos os panfletos num saco eu estava a dormir e acordei com o pontapé na porta do quarto vi o gajo dos panfletos a telefonar a alguém e a dizer que tinha encontrado algumas coisas que lhe iam interessar</p>
<p class="MsoNormal">depois reuniram-nos a todos no pátio e filmaram-nos a todos faziam rapel para cima e para baixo havia quatro ou cinco à paisana de cara tapada havia gajos do corpo de intervenção e estavam a falar da polícia espanhola e havia um que nos estava a dizer não se metam com a pj e entraram a dizer então já não vão poder fazer a vossa festa de despedida logo à noite não se percebe não te tinham dito que era segunda feira o despejo depois levaram-nos em carrinhas para aqui foi um ganda filme avisar toda a gente encontramo-nos logo à noite.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">O passadiço não foi o rastilho que faltava para a superação de Lisboa, talvez por ter durado pouco, talvez por ter sido uma miragem megalómana logo desde o início. Não permitiu que se criassem mil vietnames, mas foi sem pestanejar uma vivência marcante para quem lá andou. Ali forjou-se um devir anarquista, um devir edições antipáticas, um devir comunista para quem o comum já não podia ser a universidade, o partido ou o clube de futebol, e nunca a fábrica [um devir revolta grega ou um devir carros incendiados na Bela Vista]. A maior casa ocupada de que há memória na cidade - 4 andares formando um U em torno de um pátio de calçada, um campo de futebol, uma horta e um jardim romântico, cerca de 4000 m2 – reconstituiu, temporariamente, o comum na vida dos ocupantes.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">O despejo foi pela queixa inicial e não pelo que nos disse o representante de proprietário há duas queixas no relatório da acusação diz que somos um movimento organizado estão as páginas de internet onde aparecem os flyers o que é que se faz agora fazemos um comunicado há imensa gente que bateu com a cara na porta estava um bófia ali toda a noite a dizer às pessoas que a casa tinha sido despejada fazemos um comunicado e vamos colar nas paredes indymedia mandar para a mailing list ocupa-se já uma casa não eu ainda estou em paranóia dizem que em itália e espanha há repressão mas aqui também há tás parvo em itália há dezenas de pessoas na prisão há dezenas de pessoas no hospital a bófia trata-te pelo nome na rua em barcelona partiram os dois braços a um gajo nesses spots filmes destes acontecem todos os dias fazemos o comunicado podemos mandá-lo para o jornais NÃO! Isso é colaborar com o inimigo é ser igual a eles é perder o controlo sobre o que aconteceu desculpa desde quando é que tivemos controlo sobre o que aconteceu ninguém está a falar de dar entrevistas mas de enviar o comunicado não porque não porque não é assim que fazemos é proibido temos de usar os métodos de informação alternativos mas quais meios alternativos não existem meios alternativos em Portugal e os que existem não funcionam então temos de os criar nós fodasse sim iá vamos criar nos próximos cinco minutos o que não foi feito nos últimos cinco anos e porque é que as coisas estão tão mal mas as coisas não estão assim tão mal&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Primavera 2005</p>
<p class="MsoNormal">Rádio Leonor</p>
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		<title>Violência policial no Bairro do Fim do Mundo [Plataforma Gueto]</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Jun 2009 15:31:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>editor</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

		<category><![CDATA[Violência policial]]></category>

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		<description><![CDATA[Na quinta-feira 21 de Maio, jovens do bairro do Fim do Mundo encontravam-se a jogar basket no ringue do bairro quando uma Equipa de Intervenção Rápida da P.S.P. [Polícia de Segurança Pública], sem justificação, entrou de rompante agredindo os jovens com balas de borracha e gás pimenta. Quatro foram atingidos com balas e um com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-full wp-image-653" title="bairrofimdomundo" src="http://www.radioleonor.org/wp-content/uploads/2009/06/bairrofimdomundo.png" alt="bairrofimdomundo" width="400" height="282" />Na quinta-feira 21 de Maio, jovens do bairro do Fim do Mundo encontravam-se a jogar basket no ringue do bairro quando uma Equipa de Intervenção Rápida da P.S.P. [Polícia de Segurança Pública], sem justificação, entrou de rompante agredindo os jovens com balas de borracha e gás pimenta. Quatro foram atingidos com balas e um com gás pimenta. Na sua versão a polícia diz que entrou à procura dum “suspeito” e reagiu, “dentro da legalidade”, à resistência dos jovens. No entanto, os presentes afirmam que a polícia chegou com provocações, chamando os jovens para confrontos e que os mesmos evitaram até que a agressão da polícia gerou um natural descontentamento nos moradores jovens e pais, que se revoltaram com a atitude injustificada e desnecessária dos polícias.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-647"></span>Face à violação dos seus direitos, cada vez mais frequente, aquilo a que a polícia chamou “resistência à autoridade” foi antes de tudo um acto de defesa de direitos (pois algumas pessoas ainda não se mentalizaram que somos humanos) e de resistência ao autoritarismo que muitos continuam a confundir com autoridade.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqueles que insistem em defender que estes mesmos polícias apenas têm feito “o seu trabalho”, que é perseguir e deter criminosos, terão que assumir também que ser negro e morar num destes bairros é automaticamente ser um criminoso, e que, praticar desporto entre amigos é praticar um crime no seio duma gang. Senão de que era suspeito o jovem, jogador da selecção nacional de juniores de rugby, que acabou detido com os olhos feridos com gás pimenta?</p>
<p style="text-align: justify;">Face às constantes agressões, legitimadas por generalizações abusivas, que transformaram todos os moradores dum bairro em criminosos e/ou dependentes de subsídios, a população começa a acordar. Mais uma vez os moradores reagiram e mostraram que não estão dispostos a ser tratados de tal forma sem que nada aconteça. Não se tratando da tão receada réplica do sucedido na Bela Vista, e apesar de ter ocorrido numa situação diferente, isto ilustra a crescente consciencialização da nossa comunidade em relação ao avacalho que temos sofrido na opinião pública e nas ruas de Portugal.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-large wp-image-652" title="policia-demolicao" src="http://www.radioleonor.org/wp-content/uploads/2009/06/policia-demolicao-1024x768.jpg" alt="policia-demolicao" width="708" height="539" /></p>
<p style="text-align: justify;">O cordão que se formou para apoiar os jovens e que era constituído por diversos moradores veio reforçar que a comunidade percebe cada vez melhor que neste bairros a polícia é um progressivo factor de violência e não de “paz”, de insegurança e não de “segurança”, de desordem em vez de “ordem”, de tirania ao contrário de “democracia”, de estado sem direitos e não de “estado de direito”. Nesta tanga de democracia a liberdade e segurança duns é paga com a insegurança e tortura de outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Até os jornalistas que transformaram os seus jornais e telejornais em tribunais sumários de “jovens e bairros problemáticos” defenderam menos vigorosamente os seus executantes de penas chegando até a falar de “excesso de zelo”. Se fosse nas costas deles talvez usassem termos como “brutalidade policial”, mas ainda assim, como não houve nenhum assalto prévio e não arderam contentores, foram tímidos na condecoração dos seus heróis.</p>
<p style="text-align: justify;">Nós não temos nenhuma ilusão em relação ao que a polícia significa para nós, mas para aqueles que persistem nessa ilusão deixamos um alerta. Num clima destes só se pode construir uma paz artificial pois sem justiça não há paz. E aqueles que delegam a sua liberdade e segurança neste género de policiamento só estão a alimentar um monstro que não tardará a virar-se contra eles também. Aqueles que sentem que a sua justiça é construída injustiçando os outros só estão a cavar a sua própria sepultura.</p>
<p style="text-align: justify;">A mesma classe trabalhadora que tanto tem visto estes polícias, também trabalhadores, proteger os patrões que lhes têm gradualmente retirado os direitos tão arduamente conquistados aplaude estas acções em nome dos valores duma democracia podre. Uma democracia que os coloca “porta fora” das fábricas onde deram a vida em troca de míseros salários enquanto os responsáveis das falências e do desaparecimento das suas poupanças saem escoltados pelos seus heróis (aquando do açoitamento de “negros revoltosos”), que de repente se transformam em seus carrascos.</p>
<p style="text-align: justify;">Será que quando “acabarem com os bairros” e “mandarem todos os pretos para a sua terra” estes polícias vão ficar no desemprego? Ou será que vão ter outros bodes expiatórios para combater? Porque entretanto muito mais gente se está a revoltar com estes políticos e estes banqueiros ladrões.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" src="http://www.andipamodern.com/IMAGE/3937.jpg" alt="" width="569" height="567" /></p>
<p style="text-align: justify;">Este perfil etno-espacial que os media, comentadores e cientistas sociais têm vindo a traçar para criminalizar a nossa comunidade atenta contra a inteligência de qualquer um. Mas para os mais distraídos fica aqui uma conclusão: o único crime que estes irmãos cometeram na quinta-feira passada foi serem negros e estarem entre amigos.</p>
<p style="text-align: justify;">Várias atitudes semelhantes vindas das mesmas viaturas, dos mesmos paramilitares, têm sido relatadas por vários irmãos e irmãs em vários bairros. Há uma guerra a decorrer contra nós que pouco tem a ver com prevenção e dissuasão do crime. Uma guerra que tem a outra frente de batalha nas fronteiras da Europa onde as vítimas são igualmente irmãos e irmãs à procura dum chão mais promissor do que uma África destruída pela pilhagem desta mesma Europa, da América, da China e das novas elites africanas, burguesas e corruptas</p>
<p style="text-align: justify;">Trata-se da violência do Estado contra os suspeitos do costume. Violência do mesmo estado que promoveu recentemente, nos bairros e por intermédio dos seus programas sociais, uma campanha de prevenção da violência com referências do desporto e da cultura africanas a mostrarem as suas ferramentas de trabalho com a frase “esta é a minha arma”. Ironicamente na minha cabeça vejo um cartaz igualmente sobre a violência em que o Estado exibe um pequeno polícia e repete a frase “esta é minha arma”.</p>
<p>Justiça e paz.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-658" title="banlieue" src="http://www.radioleonor.org/wp-content/uploads/2009/06/banlieue.jpg" alt="banlieue" width="421" height="523" /></p>
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