Honduras: persistem os protestos contra golpe militar

08/07/2009

Na manhã do dia 28 de Junho, o exército das Honduras - com a cumplicidade da Corte Suprema, da oposição parlamentar, das igrejas católicas e evangélicas e de grupos empresariais - sequestraram e expulsaram o chefe de governo Manuel Zelaya.

As comunicações e a electricidade foram cortadas, para que o golpe militar pudesse ocorrer no silêncio da noite, conforme os métodos habituais do pustch fascista.

O motivo evocado prende-se com a eventual realização de uma consulta popular não vinculativa, que propunha uma revisão constitucional. Uma das mudanças propostas, caso o resultado do referendo fosse favorável a Manuel Zelaya, era a possibilidade de re-eleição do presidente do governo (acumulação de dois mandatos, ao invés de um). Algo que, de acordo com Micheletti, o presidente imposto pelos golpistas, iria contribuir para uma eternização do governo no poder.

No entanto, as verdadeiras causas do golpe de estado poderão estar relacionadas com a aproximação de Zelaya a outros líderes latino-americanos, como Hugo Chávez (Venezuela) e Daniel Ortega (Nicarágua), aproximação assinalada pela adesão das Honduras à Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA), iniciativa que pretende rivalizar com o projecto da Área de Comércio Livre das Américas (ALCA), liderada pelos EUA.

O golpe de estado protagonizado pelos militares hondurenhos não constituiu uma osurpresa. Dias antes, o Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas das Honduras havia publicado um comunicado “Estará um golpe de Estado a ser organizado?”, onde denunciava vários acontecimentos que apontavam para um eminente golpe militar: o assassinato de Mario Fernando Hernández, vice-presidente do Parlamento, e do atentado contra candidato das esquerdas à região de Tocoa. Segundo a organização, a ideia de legalizar as drogas como forma de lutar contra o narcotráfico, anunciada no discurso produzido por Zelaya na 18ª conferência internacional contra as substancias ilícitas, poderá estar por trás tanto do assassinato e do atentado, como do golpe de estado.

Milhares de pessoas invadiram as ruas para responder aos intentos dos militares e das elites hondurenhas. As manifestações e protestos foram desde o primeiro dias fortemente reprimidas pelas novas autoridades hondurenhas. No último Domingo, perante o anúncio do regresso de Zelaya às Honduras, uma multidão reuniu-se nas proximidades do aeroporto. A intervenção da polícia e militares resultou em dezenas de feridos e cerca de dois (três, segundo algumas fontes) mortes. Apesar da repressão, os protestos continuam.